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segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Eram cinco da tarde quando sentiu pela primeira vez. Depois voltou a sentir às dez da noite, adormeceu incomodada e acordou com a sensação que lhe estava colada à pele. No fim do dia de trabalho, cansada, sentou-se de pernas cruzadas no sofá e decidiu perceber onde tinha chegado e porque não se lembrava do caminho. A dúvida era quase mortal, e se. E se? E se! Estava no sitio que mais temera para si. a solidão, a duvida, a escuridão e o desprendimento. Onde tinha começado a ser assim? como não se apercebera? Como estaria tão confortável? Eram cinco da manhã quando sentiu pela ultima vez. Depois disso rasgou as cartas que escrevera, queimou as fotografias de outros tempos, pegou numa tesoura e cortou a sua ligação à pessoa que sempre tinha visto ao espelho. Sentou-se no sofá com uma chávena de chá a ferver e bebeu-a. Deixou que o quente do liquido a queimasse lentamente. Fumou um cigarro e chorou pela primeira vez desde que tinha sentido pela primeira vez. 

Não chorou mais, nunca mais sentiu.

quinta-feira, 24 de março de 2016

Silêncio

Silêncio. Nada dói mais que o silêncio. De uma casa vazia que já esteve cheia. De gargalhadas que já não se ouvem mais. De conversas tidas em tom de surdina noites dentro. O silêncio é confortável. Manso como um amigo de longa data. Abraça-te, conforta-te. Fechas os olhos, abres e o silêncio é o único que fica. Tudo desalinhado, papéis amarrotados na memória, palavras gravadas no peito ditas com o coração. E o silêncio que se junta com o peso do que não foi dito.

Senta-te. Fecha os olhos. Procura dentro de ti o que precisas de guardar. Vasculha na cabeça o que te aperta o coração. Fecha os olhos, ouve música. E aprende a esperar. E não deixes que o silêncio te conforte nunca. Usa-o sem nunca te habituares à sua presença, um dia queres abrir as janelas, queres escancarar uma porta e ele não deixa. Estás enredado em ti mesmo, preso a ti mesmo. Senta-te, fecha os olhos e ouve música. Arruma tudo o que queres guardar, grita tudo o que queres largar. Quebra o teu silêncio.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Chuva

A casa vazia em silêncio. A chuva lá fora e um frio dentro dela. A solidão dilacerante de quem um dia já teve tanto. A falta de um sorriso, a falta de um abraço. Ela sozinha numa casa escura, fria, morta. O que a matava era o passado. A sensação de impunidade que o passado lhe imputava nos ombros. A falta de força para quebrar correntes, para berrar. No fundo perguntava-se para quem berraria. O silêncio numa casa vazia era tudo o que lhe restava. E a chuva lá fora. E um frio a crescer dentro dela. 
Era visitada por fantasmas. Dos dias bons, do que ela pensava serem dias maus. E o sorriso. Era sempre o sorriso que a tramava. A falta de conversar, do toque de outro alguém no seu próprio corpo. E berrava, aninhava-se agarrada à barriga num berro sem som. Numa dor alagada em suor. E o futuro tão distante do que poderia ter sido. E a dor tão real como deveria ter sido. A chuva lá fora. E um frio tremendo dentro dela. Falava, falava muito. Sozinha. E então a loucura começou a ser companhia. Chegou de mansinho, fez-se amiga. Ouvia-a, tinha plateia para os berros. Sentia festas no ombro e alguém lhe penteava os cabelos. A chuva. Nunca mais passava lá fora. E o frio adensava-se dentro dela. E o passado e o presente num golpe trágico misturaram-se com o futuro e atraiçoaram-na. Deixou de saber quem era. O que tinha sido. E o que queria ser. Perdeu-se nos berros, nos cabelos desgrenhados e no formigueiro do ombro. Era a chuva. A chuva continuava lá fora. E o frio tinha-a congelado.  

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Fins de tarde.

E ela ali ficou. Sentada no muro, virada para o mar, naquele fim de tarde em que só o vento se fazia ouvir, só o frio veio para lhe fazia companhia. O mar revolto era a única coisa que os seus olhos conseguiam ver. A imensidão da noite que se aproximava fazia-a sentir-se pequena, a progressiva escuridão do momento fazia-a sentir-se sozinha. E ela ali ficou. Sentada no muro, a fitar o mar, sem o estar realmente a ver. A ouvir o vento, num completo silêncio, a sentir o frio, mas sem lhe dar importância. Entregue a si. Sozinha. Depois sentiu.Um abraço. Dois braços que a rodearam. Protegeram. Trouxeram-na de novo à realidade. Ela fechou os olhos e desejou ficar ali. Com aqueles braços que tanta segurança lhe transmitem. Com aquele olhar que a faz visitar os mais pequenos paraísos que ela nunca julgou existirem. A sentir aquelas mãos juntas a si que tanta força lhe dão. E ela ali ficou. Sentada no muro, virada para o mar. Com ele. Não estaria mais sozinha. Os problemas são passageiros. Nuvens que passam com o vento. Ele não. Ele estaria ali. E nem o mais forte do vento de Inverno o conseguiria levar. Ele disse-lho. Ela sabia-o. Via-lhe no olhar, sentia-lhe na pele.

[Era suposto ser fácil…. Então porquê que não é?]

domingo, 2 de março de 2008

Entardecer

Sentou-se na esplanada e olhou à volta. Fechou os olhos, respirou fundo e sorriu. Tentou lembrar-se a todo o custo quando tinha começado a ser assim. A sentir-se acompanhada mesmo quando estava sozinha. E sem qualquer esforço os olhos dele surgiram-lhe no pensamento.
Não sabia quando é que ele se tornara parte dela, não conseguia precisar o momento em que toda a sua existência ganhara sentido só porque ele existia, para ela. Não é que ela vivesse em função dele, só para ele. Mas o facto de ele estar ali dava-lhe toda a segurança do mundo para ser ela. Sabia que todas as conquistas dela seriam festejadas por ele como se fossem suas, sabia que se algo corresse mal ele estaria lá para a deixar aninhar nos seus braços até que tudo lhe parecesse melhor. Sabia que com ele o mundo parecia muito mais feliz. Ela pelo menos era-o.
Mas não conseguia precisar o momento em que tudo começou a ser desta forma. Não tinha sido com o primeiro beijo, nem com a primeira discussão, nem quando fizeram as pazes uma e outra vez, nem quando cantaram alto no meio da rua agarrados sem medo que alguém os julgasse malucos, não fora quando ele lhe disse ao ouvido que a amava, nem quando a pedira que passasse a vida toda junto dele. Não foi quando ele lhe disse que ela era a mulher da vida dele, nem mesmo quando ela teve a certeza de que era capaz de ficar com ele para sempre. Foi no entretanto do decorrer dos dias. Nas pausas para os beijos rápidos, nas mensagens com simples “Amo-te”, nos telefonemas só para saber “Como estás?”, na intensidade dos olhares que trocavam sempre que estavam sozinhos no meio dos outros, na força do toque sempre que faziam amor. E era assim, naquela esplanada, em que ele não estava sequer perto dela, sentia-o na pele como aos raios de sol que lhe beijavam o corpo. Sabia-o sempre ali, perto, nela.
“Porquê que gostas tanto de mim como dizes?”
“Porque contigo posso ser eu. Só eu.”

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Analgésicos...

Desligou o telefone. Inspirou bem fundo, encostando-se para trás deixou-se cair no sofá fechando os olhos. Não conseguia perceber porquê que as forças lhe fugiam, não conseguia entender todos os sintomas porque passava agora o seu corpo. Permitiu-se adormecer, não conseguiria sair dali tão cedo, não enquanto o corpo não recuperasse do terramoto pelo qual tinha passado e a deixasse continuar a sua vida de sempre. Sonhou. Estava no meio da cidade, viu-o ali mesmo ao lado dela, naquela praça onde ele nunca tinha estado com ela, naquele sitio que era tanto dela mas que nunca fora dele. Sentiu-lhe primeiro o cheiro, inspirou e sentiu-se segura, sabia agora que nada de mal lhe poderia acontecer, ele nunca deixaria. Sentiu depois uma mão à procura da sua, juntaram-se as mãos e encontraram-se as almas. Ela não precisava sequer de olhar, mesmo na escuridão reconheceria as mãos dele em qualquer lado, a espécie de choque que acontecia sempre que se tocavam dar-lhe-ia a certeza se ela precisasse, mas não, apenas pela forma como preenchia a sua ela sabia que só poderia ser ele. Sabia o que se seguia. Um encontro de lábios, uma troca de braços, um fechar de olhos para reconhecer o outro. Sabia que mal pudessem, mal deixassem a multidão para trás, se entregariam nos braços um do outro. Sabia que fariam amor, que ficaria deitada nos braços dele já muito depois de o sol desaparecer. Ele brincaria com os cabelos dela, ela desenharia nas costas dele para que ele adivinhasse sentimentos já tão reconhecidos nos olhos de ambos. Sabia que ia ser feliz. Naquela cidade, noutra qualquer. Desde que estivesse assim, nos braços dele. Com o cheiro dele em si.
De repente acordou. O corpo ainda lhe doía. Agora ela sabia, as saudades podem-se traduzir em dores físicas, mas a pior dor estava dentro dela. O telefonema não bastou, naquele momento ela precisava de mais. De muito mais. Precisava dele, ali ao lado dela. E isso fazia-lhe doer a alma. A única dor que não passaria com os medicamentos que viesse a tomar. Os sonhos que tinha com ele sim, eram na verdade os únicos analgésicos com que contava para lhe revitalizar o ser e davam-lhe força para mais um dia. Sem ele. Abraçou-se a si mesma, rodeou-se com os seus próprios braços a fingir que eram os dele. E sentiu. O cheiro dele. Não tinha sido um sonho. Ele estaria ali. Sempre.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Respirar*

Está sentada na esplanada. Fecha os olhos e sente o calor da noite. O vento que se faz sentir é quente, aconchega. O som está alto, a música do bar obriga-os a berrar uns para os outros. Respira fundo. Sorri e acena a quem acaba de chegar. O copo em cima da mesa com o gelo a derreter, o cigarro no cinzeiro com a cinza a cair. E ela com os olhos fechados, como se tivesse todo o tempo do mundo. Como se ali com as gargalhadas que ecoam daqueles que mais ama fosse impossível acontecer algo de mal. Está noutro mundo, naquele em que só ela existe e as vozes dos outros são apenas o eco. De repente ele chama-a. O nome dela na boca dele soa sempre a uma melodia doce. "Anda cá, preciso de te dizer uma coisa." E ela sabia o que se seguia. Ele iria rodea-la com os seus braços. Iria dar-lhe um beijo no pescoço, uma mordida na orelha. Iria perguntar-lhe num sussurro "Em que pensas?". E ela iria sorrir-lhe, abraçar-se-iam. E ali naquele olhar só dos dois ela teria a certeza. Era impossível algum mal os atingir. Ela era aquela com quem ele gostava de ficar para sempre. Ele tinha-lhe dito ao ouvido momentos antes. E era nisso em que pensava, e em como tudo de repente lhe parecia simplesmente perfeito. Tanto que começava a ter medo que alguma vez o sentimento inabalável que nada de mal os poderia atingir pudesse algum dia vir a desvanecer-se por completo. "Em nós amor, em como tu vais sofrer por me aturar em velhinha". "Ninguém disse que ia ser fácil, mas eu consigo, nós conseguimos." Ela dá-lhe um beijo. Põe o copo à boca, sente o frio do gelo. Respira fundo e murmura "Pois conseguimos."

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Energias

Ela olha para ele com o amor espalhado pelo corpo. Quero-o para si, só para si. Quer fugir do lugar onde estão para logo poder cair em seus braços encostar a cabeça no seu ombro e partir deste mundo e entrar naquele que é só deles. Ele olha para ela e acena com a cabeça, também ele está ansioso por poder chegar aquele sítio mágico que ambos criam quando estão juntos. Estão rodeados de pessoas, uma mesa redonda, muitas conversas cruzadas, muitas gargalhadas, mas quando se olham num silêncio que só eles entendem e em quem mais ninguém repara conseguem quase passar as portas para o mundo deles. Quase que se ouve o conforto que é estarem um nos braços do outro. Voltam as conversas, as gargalhadas, as discussões e o bar cada vez mais cheio, e eles cada vez com mais vontade de mergulharem um no outro. A noite acaba, passa-se às despedidas, aos até amanhãs, à promessa que se tem que fazer isto mais vezes. E ela começa a correr, corre a fugir com a esperança que ele corra atrás dela. Só os dois. Mais ninguém agora importa, mais ninguém estará presente para os distrair do brilho um do outro. Ele alcança-a, envolve-a nos seus braços, beija-lhe o pescoço, percorre as costas dela com a mão e encurrala-a contra a parede. Ela olha-o nos olhos, baixa o olhar, morde o lábio, trinca-lhe a orelha, arrepia-o. Sussurra-lhe: Beija-me. E ele com os seus lábios contra os dela, passa-lhe toda a energia que ela precisa para ser feliz. Ao lado dele. Os dois juntos num final de noite, naquele mundo que constroem apenas os dois.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Magnetismo

Encontram-se os dois. Sorriem e olham-se nos olhos. Ele sabe exactamente o que ela lhe pede, ela sabe exactamente que ele lhe compreendeu o olhar. Aproximam-se. Tudo o que os rodeia deixa de existir naquele momento em que se encontram a menos de um metro um do outro. Qualquer que seja o cenário, qualquer que seja o contexto… Ele não vê para além dela. Ela não olha para mais ninguém que não ele.

O corpo dela chama por ele. O abraço que o rodeia dá-lhe as certezas que restavam do olhar. O corpo dele é dela. As mãos que agora a agarram não o deixam mentir. O desejo é comum. O amor também. Pertencem um ao outro…

Ela fecha os olhos e deixa-se levar por ele. Confia que é nele que o seu corpo encontra a paz. É nele que o corpo dela descansa de um quotidiano acelerado. É nele que repõe as energias que lhe vão faltando. E naquele momento em que nada existe para além dos seus corpos nus juntos, ela sabe que o ama.

Ele percorre todo o corpo dela com as suas mãos. Sabe que aquele corpo também é dele, reconhece cada centímetro de tantas vezes que o admirou. Contempla-a pelo canto do olho de cada vez que fazem amor. Ele finge que não sabe que ela o vê. E naquele momento em que só os seus corpos juntos existem no mundo, ele olha-a e sabe que a ama.

É uma entrega. Um momento especial. Algo do qual não querem nem conseguem fugir. Porque pertencem um ao outro. E de cada vez que estão juntos os corpos unem-se. Como um íman. Estão magnetizados um para o outro. É o amor. E eles amam fazer amor um com o outro. Amam-se um ao outro, como se de si próprios se tratasse.

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Destinos




Senta-se ao volante… Não sabe para onde ir. Ninguém sabe onde ela está, como está, com quem está. Liga o carro, o rádio começa a debitar música a que ela não presta atenção. Liga as luzes, aperta o cinto. Fecha os olhos, respira fundo. Não sabe para onde ir, mas não pode ficar mais ali. É a única certeza que tem naquele momento. A de que quer fugir e não ser encontrada.
Sente-se perdido. Não sabe onde ela se encontra, não sabe com quem ela está, não sabe como é que estará. Sente-lhe o medo, e por isso sabe que a tem que encontrar. Abraçar e dizer-lhe que tudo vai ficar bem. Liga de novo para um telemóvel que ela não irá atender. Passa por casa dela, o carro não está à porta. Conhece-a melhor que ninguém. Sabe para onde ela irá mesmo antes dela. Parte para um lugar onde ela ainda não está mas para onde se dirige.
A música. Ela começa a dar atenção à música que passa no rádio, torna-se difícil manter os olhos abertos com as lágrimas a cair. Chega a uma praia. Sabe que lá está, não sabe como lá chegou. Nem se lembra de ter decidido lá passar. Sai, sente o frio nos ombros, o desconforto na cara. Inspira os resquícios de sol que ainda se fazem sentir. Fecha os olhos. E então apercebe-se que ele está ali. O coração que começou a bater desenfreado momentos antes fê-la sentir que ele estava com ela. Olha à sua volta, e então vê o vulto dele, a sua própria vida reflectida na escuridão das sombras. Ama-o tanto. Tem tanto medo. Quer fugir de tudo. Quer ficar ali, com ele.
Ele vê-a de costas, a olhar para o nada. Sabe que está de olhos fechados, sabe que está a tentar recuperar as forças nos raios de sol que ainda existem. Sabe que a ama. Que ela é o seu tudo. E só a quer abraçar.
Começa a chover. O sol ainda não desapareceu, mas as nuvens juntaram-se em harmonia com o estado de espírito dela. Ele avança, ela recua. Ele alcança-a e estende-lhe a mão. Olha-a na alma. Fá-la estremecer. Ela não lhe consegue resistir. O medo é grande, mas o amor supera-a, e ela dá-lhe a mão de volta, e abraça-o. Ficam ali. Com o medo dela. Com o amor dele. Com a chuva a embala-los num abraço sem fim.

It's not always easy and
sometimes life can be deceiving
I'll tell you one thing, it's always better when we're together

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Boa Noite.

Espia-lhe o sono como se dependesse dele para se acalmar. Olha-lhe a alma como se dependesse dela para viver. Respira-lhe o cheiro como se dependesse dele para amar. Ele dorme, alheio aquela atenção por parte dela, alheio ao amor que ela agora lhe confessa. Ele está longe, tão longe, e no entanto ela está ali tão perto que lhe sente o calor do corpo... Ele sonha, numa qualquer terra distante, ela sonha ali, naquele pedaço de cama mesmo ao lado dele.Ele mexe-se, procura-a naquela cama, envolve-a nos seus braços. Como se tivesse ouvido ela a chama-lo da terra dos sonhos. Ela aninha-se no corpo dele, fecha os olhos, diz para si que é feliz. Com ele. Ele como se adivinhasse murmura o nome dela ainda a dormir. Ela beija-o, chega com os lábios ao ouvido dele e diz-lhe "Estou aqui. Dorme meu amor". Ele mesmo a dormir, sorri.

Goodnight, my love, to every hour in every day
Goodnight, always, to all that's pure that's in your heart

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Estática

E ficou ali à espera. Não sabia de quê, não sabia de quem. Não sabia sequer porquê. Um momento. E ela ali ficou. À espera. E foi aí que os fantasmas do passado lhe assomaram todos à lembrança, à velocidade da luz, com um barulho ensurdecedor. Atordoaram-na e ela teve medo.

sábado, 26 de maio de 2007

Pesar(es)

Dói-lhe a alma, é algo que ela não quer sentir, mas já não sabe o que fazer para o coração parar de lhe pesar. Sorri, vai buscar as poucas forças que lhe restam ao mais intimo do seu ser. Sabe que está frágil. Falta-lhe a parte vital e sem ela mal consegue respirar. Tenta convencer-se que tudo vai melhorar, vezes sem fim diz para si mesma que foi o melhor. Como um mantra repete que vai ser feliz, que basta fechar os olhos e inspirar fundo, a luz do sol vai dar-lhe a força que precisa, o sorriso, ainda que por agora forçado vai voltar a brilhar…
Dói-lhe a alma. Falta-lhe a outra metade. A que fazia com que os dias parecessem melhor só pelo facto de estar lá. Para tudo. Já não está. Ela pediu-lhe que a deixasse. E ele deu-lhe um beijo triste e deixou-a. Morreram um bocadinho.

E agora a ela dói-lhe a alma e o sol quase que não brilha para lhe retemperar as forças.