Silêncio. Nada dói mais que o silêncio. De uma casa vazia que já esteve cheia. De gargalhadas que já não se ouvem mais. De conversas tidas em tom de surdina noites dentro. O silêncio é confortável. Manso como um amigo de longa data. Abraça-te, conforta-te. Fechas os olhos, abres e o silêncio é o único que fica. Tudo desalinhado, papéis amarrotados na memória, palavras gravadas no peito ditas com o coração. E o silêncio que se junta com o peso do que não foi dito.
Senta-te. Fecha os olhos. Procura dentro de ti o que precisas de guardar. Vasculha na cabeça o que te aperta o coração. Fecha os olhos, ouve música. E aprende a esperar. E não deixes que o silêncio te conforte nunca. Usa-o sem nunca te habituares à sua presença, um dia queres abrir as janelas, queres escancarar uma porta e ele não deixa. Estás enredado em ti mesmo, preso a ti mesmo. Senta-te, fecha os olhos e ouve música. Arruma tudo o que queres guardar, grita tudo o que queres largar. Quebra o teu silêncio.
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