sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Sorte

Tenho muita sorte. A única coisa que sempre esperaram de mim era que fosse feliz.
Morei junto muito antes de casar. Tive duas filhas seguidas, dei por mim com dois bebés. Dei de mamar porque era uma seca lembrar-me de levar o biberão e o termos e o tupperware do leite em pó. Deixei só porque me apeteceu e estava cansada. As minhas filhas não tomam banho todos os dias, mas são mimadas todos os dias. Às vezes (às segundas-feiras) vêm tão cheias de sono de maus hábitos do fim de semana que só jantam uma taça de cereais e caem no sofá. Não passo a ferro. Nunca. Não acabei o curso. Ainda. A minha casa raramente está num brinco. 3 horas no máximo, enquanto elas não chegam. Mas há gargalhadas e migalhas no chão de bolos feito a 8 mãos. Tenho muitos kilos a mais do que o que devia. Preocupa-me as consequências na saúde. Sou bonita e (já) gosto de mim. Isso chega-me. Já não bebo mais que a conta, mas tenho saudades. Fui pedida 3 vezes em casamento. Em duas estávamos bêbedos. E foram as três especiais! Já fiz xixi na rua, no meio do mato. Em casas de banho de final de noite no Sudoeste. Não me maquilho, mas quando o faço dura até ao banho a seguir. Não me vejo separada porque amo o homem que tenho como meu. Mas nunca conseguiria estar junto pela imagem. Não há imagem possível quando não somos felizes. E falho. Falho tanto com os meus. E penso, questiono-me, converso até quase de madrugada embalada pelos meus braços preferidos. Tenho dois pares de sapatos altos que nunca uso e só uso o perfume dele, que roubo, para o cheirar durante o dia, mas a minha sorte é que não esperam mais nada de mim a não ser que seja feliz. Tenho muita sorte, mas a verdade é uma. A ter que esperar é sempre sentada!!!

Sem comentários:

Enviar um comentário

...