quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Olhares

Passas por mim como quem passa pela noite. Escondido na luz dos candeeiros para fazer sombra e ficar permanente. És fugidio. Tal como eu. Dás e tiras, tiras e dás, numa surpresa para que o óbvio não se instale. E eu gosto. O teu toque intenso mostra a ânsia que tens para me ter. Olhas-me nos olhos e encontras o que sou de mais profundo. O café em que estamos desaparece, só os teus olhos fixos nos meus me importam. E ali num olhar eu vejo-te, vejo-nos. Sinto-te como o único caminho que há para percorrer. Porque só com os teus olhos pousados em mim é que as coisas ganham sentido. Porque só com o teu toque meigo é que o meu corpo ganha sentido. E ali por breves segundos alheados de tudo o que nos rodeia, num olhar que só nós entendemos e que quem nos acompanha nem notou, eu sei. Os teus olhos são o espelho do mais bonito que existe em ti. E sei que os meus espelham todo o amor que tenho por ti.