Custam-me muito as ausências. Os dias em que só as vejo de manhã, em que só temos direito a um lusco-fusco de 20 minutos e a pequenas conversas a caminho da escola. Custa-me muito as perguntas certeiras da mais velha: "Estás de folga hoje?" numa ansiedade de saber se a mãe vai estar lá para ela quando sair da escola. Custa-me muito que já me pergunte se vou fazer noite porque "então vais chegar de noite mamã e eu já vou estar a dormir". Custa-me muito saber das coisas da escola pelo alta-voz do carro enquanto o pai as leva para casa, onde perco metade no caos de falarem as duas ao mesmo tempo. Custam-me as chamadas pelo facebok para as acompanhar no jantar, como se o telefone suprisse a falta que a minha presença ali faz. Custa-me os "demoras mamã?" "Já vens mamã?" "despacha-te mamã". Custa-me vê-lo sozinho, a lidar com os berros, os dramas de duas divas, os jantares muitas vezes caóticos, os rituais de deitar, numa equipa desfalcada onde me vejo a braços com falta de comparência, ainda que falta justificada e assinada na caderneta. Custam-me os beijos que lhes dou quando chego e elas já não sentem, o aconchegar de lençóis que já não dão fé e os "amo-te muito, sonhos cor de rosa" que já não me ouvem dizer.
Custam-me imensamente os dias em que sou mãe a part-time.
Acredito que custe muito. Mas tens de acreditar que é para lhe dares uma vida, um futuro melhor e que um dia elas irão reconhecer isso. Porque apesar de ser a bosta do país que temos, com as condições que dá ás mães deste país, não deixa de ser um ciclo. Daqui a muitos anos serão elas a terem filhos, serão elas a terem de os deixar por momentos para trabalharem. :) Um beijinho
ResponderEliminar