Sei exactamente onde me foi dada a notícia. Sei o que ia fazer, para onde ia e o que vestia. Lembro-me sobretudo do silêncio do telefone mudo dos dois lados. E do frio do medo. Afinal não acontece só aos outros. Merda. Tinha acabado de nos acontecer a nós. Lembro-me da calma dela a dar a notícia. E do furacão da minha irmã quando chegou a vez dela de saber. Merda. E agora?
Todo o processo foi levado com a força que eu sempre soube que ela tinha. E com uma coragem que só lhe conseguia imaginar. O corte de cabelo. Curto. A queda do cabelo. Lenços. Quimioterapia e um sorriso nos lábios. Sei que teve muito medo, que se sentiu derrotada, que chorou atraiçoada pela vida, mas também sei que nunca o demonstrou. Por nós. Porque nós estivemos sempre em primeiro lugar.
O único impacto que tive foi numa manhã que apareci de surpresa e a vi a acordar. O ar pesado, os ombros curvados, a cabeça careca e um olhar triste. E ali enquanto me sentia como se tivesse acabado de levar uma tareia, admirei-a mais. A minha mãe era uma lutadora. Todos os dias contrariava a doença e maquilhava-se, arranjava-se e não se entregava à sua condição de doente oncológica. Por nós, para não lhe sentirmos a dor, pelo meu pai, para não lhe ver a preocupação estampada no rosto e por ela para lutar com todas as suas armas contra o filho da puta do cancro de mama. Não acontece só aos outros. Nem vem em carta registada com aviso de recepção. Aparece. Instala-se. Mata. A minha mãe tem vindo a lutar. Tem-lhe ganho todas as batalhas, com um sorriso nos lábios e determinação na alma. Eu ganhei o vício de a abraçar mais e de lhe dizer que gosto dela. Porque não acontece só aos outros. Aconteceu-nos q nós.
Todo o processo foi levado com a força que eu sempre soube que ela tinha. E com uma coragem que só lhe conseguia imaginar. O corte de cabelo. Curto. A queda do cabelo. Lenços. Quimioterapia e um sorriso nos lábios. Sei que teve muito medo, que se sentiu derrotada, que chorou atraiçoada pela vida, mas também sei que nunca o demonstrou. Por nós. Porque nós estivemos sempre em primeiro lugar.
O único impacto que tive foi numa manhã que apareci de surpresa e a vi a acordar. O ar pesado, os ombros curvados, a cabeça careca e um olhar triste. E ali enquanto me sentia como se tivesse acabado de levar uma tareia, admirei-a mais. A minha mãe era uma lutadora. Todos os dias contrariava a doença e maquilhava-se, arranjava-se e não se entregava à sua condição de doente oncológica. Por nós, para não lhe sentirmos a dor, pelo meu pai, para não lhe ver a preocupação estampada no rosto e por ela para lutar com todas as suas armas contra o filho da puta do cancro de mama. Não acontece só aos outros. Nem vem em carta registada com aviso de recepção. Aparece. Instala-se. Mata. A minha mãe tem vindo a lutar. Tem-lhe ganho todas as batalhas, com um sorriso nos lábios e determinação na alma. Eu ganhei o vício de a abraçar mais e de lhe dizer que gosto dela. Porque não acontece só aos outros. Aconteceu-nos q nós.
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