Já realizei o sonho da minha vida. Ser mãe. É básico, cliché q.b. mas é e sempre foi o meu. Tanto que um pesadelo recorrente era eu saber que nunca poderia ter filhos. Tenho um caso de infertilidade na família e vivia de perto os dramas por não conseguir ter um filho. Quando engravidei da primeira vez comparei ao meu marido o que estava a sentir com o ganhar o Euromilhões. Porque para mim era concebível viver sem nunca o ganhar mas nunca seria feliz se não pudesse ser mãe.
Quando perdi o meu primeiro filho, (será sempre o primeiro) senti que o meu mundo tinha desabado. Não fosse eu ter do meu lado o Homem que tenho e eu tenho a certeza que tinha sucumbido à tristeza. O meu amor deu-me colo, limpou-me as lágrimas, sofreu em silêncio a sua perda. Agarrou-me à vida. Não saiu de perto de mim uma única vez enquanto eu não me levantei, limpei as lágrimas e lhe disse "Estou bem". Quando fiquei grávida da Leonor era ele quem me acalmava os fantasmas e me dizia que tudo estava bem. Que me segurava a mão tensa, suada e trémula em cada consulta em que eu esperava ouvir as palavras mais difíceis que já ouvi na vida. "Não tem vida, abortou".
Quando o amor da minha vida nasceu e chorou, vieram-me as lágrimas aos olhos, tínhamos conseguido. Ela estava cá, era nossa, eu era mãe. Olhei para o tecto e agradeci. Hoje sou mãe. A meu ver (e porque os meus olhos são os de uma mãe) a minha filha é tudo o que eu sempre idealizei. Bonita, bem disposta, calma, uma alegria. Só posso agradecer. A ele, por me ter ajudado a conquistar mais um sonho.
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