sábado, 24 de dezembro de 2011

Tempo(s)

Escrevo deitada na cama onde me apaixonei por ti. Onde os teus caracteres a piscar no ecrã faziam o meu coração viajar em looping constante no meu peito. Onde passei noites acordada à espera de uma mensagem, onde me faltava o ar de cada vez que via o teu nome a piscar ao som de toque do telemóvel.
Nem sempre foi fácil. Neste colchão chorei noites de incertezas, dei-nos como perdidos, decidi apagar-te da lembrança. Nestas paredes roí-me para te vetar ao esquecimento, rasguei a alma para não te dizer que te amava e morri para não perceberes que era tua sem tu dares conta. Dar parte fraca, nunca. Sair por cima, sempre. Mesmo com a alma estilhaçada de dor e com o peito desfeito em saudades da tua metade em mim.
Escrevo deitada na cama onde me apaixonei por ti. Hoje envolta nos teus braços, com as tuas pernas entrelaçadas nas minhas. De coração cheio. De votos de amor trocados com beijos selados. Numa simbiose unica como se o meu corpo fosse teu e o teu me pertencesse. Somos um só. O tempo passou. O sentimento ficou.

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