quinta-feira, 5 de novembro de 2009

100 palavras

Eu não sei que mais fazer para sair desta maré de azar, não sei que mais dizer, não sei onde é que pode existir uma saída. Parece que estamos cercados por um leve nevoeiro carregado de má sorte que não nos deixa respirar de alivio, que não nos deixa desfrutar do bom que é sermos dois num só. E eu penso (já) em modo de desespero que devemos mesmo ter algo em grande, esgotamos a sorte toda da vida quando nos conhecemos e decidimos ficar juntos, que há invejas, que tenho que ir à bruxa, eu sei lá... Desespero, porque quando as coisas começam a correr bem há sempre qualquer coisa que vem e nos corta as pernas de novo, porque quando tentamos mais uma vez levar o barco a bom porto começa outra tempestade, porque ainda nem nos refizemos de uma dificuldade e logo outras se avizinham.
E depois vejo-te a desesperar e sinto-me pior porque te vejo a pensar que falhaste em dar-me o que preciso, porque te sentes impotente perante tanta adversidade e eu não sei que mais te dizer para que te convenças que a mim não me falta nada desde que estejas comigo, que não há nada que eu queira mais do que te ter ao meu lado. Mesmo sem festas e restaurantes, mesmo sem roupas novas ou prendas, mesmo sem fins de semana romanticos numa aldeia qualquer, não há mesmo nada, que compre o prazer que é estar contigo no sofá, não há nada que se compare ao sentimento de plenitude que me atinge de cada vez que penso que estamos ali, em nossa casa, com as nossas coisas, só os dois. Não há mesmo nada que me faça trocar esta vida contigo em que a sorte escasseia por uma vida sem ti e com toda a sorte do mundo.
E ontem, à noite no sofá (enquanto te ganhava no buzz) eu não podia ter esquecido mais todos os nossos problemas, porque estavas ali comigo, porque nos rimos, lutamos, brincamos os dois, juntos. Porque apesar de tudo nos completamos de tal forma que o resto do mundo desaparece, juntos. E porque no fim quando fomos para a cama, juntos, e tu me puxas para ti, poes as tuas pernas entrelaçadas nas minhas, e te queixas da falta do beijo de boa noite, eu sei, nós temos toda a sorte do mundo, temo-nos um ao outro. O resto nós conseguimos superar, ultimamente com mais dificuldade, mas superamos. Juntos.

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