Chegou o tão temível último dia de férias. E eu aproveitei-o ao máximo. De manhã foi dormir até o corpo se cansar de tanto descanso. Acordar com aquele cheirinho a assado da mãe que gosto tanto e que ela faz todos os domingos religiosamente para nos agradar. Voltar para a ronha na cama, decidir que são horas de matar saudades que foram acumuladas durante a noite e levantar o rabo da cama, tomar um bom banho e sair porta fora com o amor maior. O encontro com os amigos no Parque da Cidade. As conversas. As gargalhadas. As asneiras. O jogo de mini-golf renhido (not!). O passeio a dois ao pôr-do-sol. O abraço. O tempo de um cigarro. A certeza de que amanhã será diferente mas que no fundo tudo permanece no mesmo lugar, naquele que é especial e só lá existe o nós. O beijo, o olhar triste, o meu aperto no peito. A despedida. E a certeza de que estarás aqui à minha espera na volta. E que te amo.
Foi o meu último dia de dolce far niente, e eu como gaja que sou, sinto-me dividida, não consigo perceber se estou contente, se estou triste... A minha consistência de gelatina já tão conhecida por vocês. A verdade é que se por um lado ansiava por este dia para poder finalmente fazer alguma coisa de útil, visto que nas férias como se diz na minha terra não fiz a ponta de um corno, e como tal já estou um bocadinho farta de tanta inércia, tanto dia igual, tanto tempo livre e tempo pra respirar. Por outro estou um bocadinho triste porque já acabou. Porque não vou estar em casa, porque mais uma vez vou ter 300 km entre mim e algumas das pessoas que são importantes para mim. E isso é o que dói mais. Saber que não vou estar à distância de um telefonema, que os abraços, as saídas, os jogos, as aventuras vão ter que ficar em suspenso. E custa-me. Todos os anos me custa. Este talvez custe um bocadinho mais. Mas é o último, e para os últimos esforços ganhámos sempre um pouco mais de força.
Quero voltar o quanto antes para o meu Porto (de abrigo. Seguro), para os meus amigos, para o meu amor, para minha casa. Já lhe(s) sinto a falta e ainda não fui embora.
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