Parou. Tentava a todo o custo aperceber-se de onde estava. O lugar não lhe era estranho, os cheiros eram-lhe familiares, só o corpo não era o dela. Sentou-se no vazio e deixou as recordações afogarem-lhe a mente. Ainda era ela, mas num corpo diferente. Havia qualquer coisa de novo nela que não sabia definir, algo que a transformava e a deixava estranha, reconhecia tudo à sua volta, menos o seu interior. Abriu a persiana e ali iluminado pelos primeiros raios de sol. Viu-o. E então percebeu. Claro que aquele corpo não era dela. Agora partilhava-o com ele. Claro que agora estava diferente. Amava alguém. E foi quando ele acordou estremunhado com o sol a bater-lhe nos olhos e lhe disse “Amo-te” é que ela encontrou a definição para a nova sensação que sentia em si. O amor. Fazia toda a diferença. Agora ela já se lembrava. E sorriu-lhe. E sussurrou-lhe “Também te amo”.
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