terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

"You're my boy"

Hoje perdi um comboio. Ainda o vi na estação, mas nem tive reacção para correr para o apanhar. Hoje cheguei atrasada ao exame. Não tive aqueles momentos de conversa no café com os colegas que antecedem os exames, cheguei mesmo no momento em que a Prof. chamava pelo meu número, já na segunda chamada, entrei na sala ainda a desligar o telemóvel ao mesmo tempo que tentava abrir o estojo para tirar as canetas e procurava o cartão de estudante que andava perdido na mala. Mas valeu a pena.
Quando saí de casa pensava ter tempo para fazer tudo isto nas calmas, mas não, há momentos que por significarem demais merecem que lhes dediquemos algum tempo. Assim que estaciono o carro no parque da estação começa a música. Aquela música, e eu vejo-me invadida por um sentimento de tanta saudade que pensei que o coração me ia parar de tanto doer. Aquela música que cantamos os dois, eu aninhada no teu corpo, naquela noite que significou demais, naquela noite em que nos embalamos um ao outro com músicas cantadas ao ouvido, sussurradas ao coração. Aumento o volume, não ligo para quem passa, o momento é apenas meu, eu e as memórias que aquela música me trás de nós. Cada momento, cada gesto, cada palavra dita, tudo me assoma, tudo faz doer. Tantas saudades. A música cantada a duas vozes. Eu e tu, numa noite em que não existia mais ninguém no mundo, em que mais nada importava senão nós ali juntos depois de tanto tempo.
Aquela música começou no rádio e eu não fui capaz de o desligar, não fui capaz de abrir a porta do carro e deixa-la a tocar. Significou demais. Dói demais, as saudades apertam no coração como um torniquete numa ferida, aquela música é o pano que não o deixa sangrar demais. Tenho tanta pena que tenha que ser assim, que esta distância ainda demore para ser ultrapassada, que as saudades doam ainda tanto e custem tanto a passar.


Como me sussurraste naquela noite: “Many years ago I’ve this dream about this girl, that could fly trough my window and whisper in my ear: You’re my boy.”
Hoje digo-te não ao ouvido, mas ao coração… “You’re my boy.”

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