segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

Fins de tarde.

E ela ali ficou. Sentada no muro, virada para o mar, naquele fim de tarde em que só o vento se fazia ouvir, só o frio veio para lhe fazia companhia. O mar revolto era a única coisa que os seus olhos conseguiam ver. A imensidão da noite que se aproximava fazia-a sentir-se pequena, a progressiva escuridão do momento fazia-a sentir-se sozinha. E ela ali ficou. Sentada no muro, a fitar o mar, sem o estar realmente a ver. A ouvir o vento, num completo silêncio, a sentir o frio, mas sem lhe dar importância. Entregue a si. Sozinha. Depois sentiu.

Um abraço. Dois braços que a rodearam. Protegeram. Trouxeram-na de novo à realidade. Ela fechou os olhos e desejou ficar ali. Com aqueles braços que tanta segurança lhe transmitem. Com aquele olhar que a faz visitar os mais pequenos paraísos que ela nunca julgou existirem. A sentir aquelas mãos juntas a si que tanta força lhe dão. E ela ali ficou. Sentada no muro, virada para o mar. Com ele. Não estaria mais sozinha. Os problemas são passageiros. Nuvens que passam com o vento. Ele não. Ele estaria ali. E nem o mais forte do vento de Inverno o conseguiria levar. Ele disse-lho. Ela sabia-o. Via-lhe no olhar, sentia-lhe na pele.

[Era suposto ser fácil…. Então porquê que não é?]

Vales-me tu. Sempre do meu lado. Um amigo, um companheiro, um amor, uma fonte de força, de boa-disposição. E todos os momentos ao teu lado transformam-se em pequenos pedaços de céu. Obrigada? Não. Deixo-te antes um beijo. Daqueles só nossos, dos que são dados com os olhos, com as mãos, com a alma. Daqueles que nos enchem de felicidade e fazem o coração disparar mais depressa. Um beijo. Desses.

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