quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016
Ser mãe.
Os dias em que faço noite e chego a casa e elas já dormem custa-lhes (nos) muito. Depois de ontem ter tido uma intrusa na cama a dizer tristonha que eu não lhe tinha ido dar um beijinho quando cheguei (que fui e vou sempre) lembrei-me de hoje no caminho da escola de lhes dizer para quando fossem para a cama para me deixarem na almofada um boneco e eu quando chegasse ia-lhes dar um beijinho e levava o boneco de volta à cama delas. Hoje quando cheguei morri de saudades. E de amor.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016
sexta-feira, 29 de janeiro de 2016
Sorte
Tenho muita sorte. A única coisa que sempre esperaram de mim era que fosse feliz.
Morei junto muito antes de casar. Tive duas filhas seguidas, dei por mim com dois bebés. Dei de mamar porque era uma seca lembrar-me de levar o biberão e o termos e o tupperware do leite em pó. Deixei só porque me apeteceu e estava cansada. As minhas filhas não tomam banho todos os dias, mas são mimadas todos os dias. Às vezes (às segundas-feiras) vêm tão cheias de sono de maus hábitos do fim de semana que só jantam uma taça de cereais e caem no sofá. Não passo a ferro. Nunca. Não acabei o curso. Ainda. A minha casa raramente está num brinco. 3 horas no máximo, enquanto elas não chegam. Mas há gargalhadas e migalhas no chão de bolos feito a 8 mãos. Tenho muitos kilos a mais do que o que devia. Preocupa-me as consequências na saúde. Sou bonita e (já) gosto de mim. Isso chega-me. Já não bebo mais que a conta, mas tenho saudades. Fui pedida 3 vezes em casamento. Em duas estávamos bêbedos. E foram as três especiais! Já fiz xixi na rua, no meio do mato. Em casas de banho de final de noite no Sudoeste. Não me maquilho, mas quando o faço dura até ao banho a seguir. Não me vejo separada porque amo o homem que tenho como meu. Mas nunca conseguiria estar junto pela imagem. Não há imagem possível quando não somos felizes. E falho. Falho tanto com os meus. E penso, questiono-me, converso até quase de madrugada embalada pelos meus braços preferidos. Tenho dois pares de sapatos altos que nunca uso e só uso o perfume dele, que roubo, para o cheirar durante o dia, mas a minha sorte é que não esperam mais nada de mim a não ser que seja feliz. Tenho muita sorte, mas a verdade é uma. A ter que esperar é sempre sentada!!!
terça-feira, 6 de outubro de 2015
Vôo
Os dias estão diferentes. Correm a uma velocidade estonteante. Raramente nos é permitido parar. E olhar o que nos rodeia, quem se senta ao nosso lado na mesa do café, a nova música na rádio no meio do trânsito. E corremos porque temos pressa. E corremos porque temos algo a fazer. E corremos porque estamos em falta de algo. No fim do dia se der, respiramos. No fim do dia logo se vê se temos tempo de pensar no que hoje se viveu. Nunca temos. E o dia passa. E a semana avança, mudam os meses, as estações, muda-se a roupa fresca para o cachecol ao peito. Mudam-se os anos e os aniversários acrescentam-nos números. E o tempo voou.
E eu que me agarro às memórias de forma a contrariar o voo aproveito o silêncio para respirar e guardar as nossas pequenas memórias na caixa empoeirada que chamo nossa. E guardo todos os beijos, todos os bons dias e boas noites, todos os abraços, todas as conversas em silêncio. E guardo cada gargalhada delas. Cada conquista. Cada aprendizagem. E de repente num dia como tantos outros, olho para ti e vejo. O tempo voou, tenho tanto para guardar.
Não és o miúdo pelo qual me apaixonei. És o pai das minhas filhas. Sou mãe. E nós quase sem parar. És um homem, sou uma mulher. O tempo voou. Temos uma história. Já nos deixamos de discutir em biquinhos de pés para não arriscar tudo. Dane-se, o tempo passou, e arrisca-se tudo com a certeza da certeza. Temos uma história. E continuamos a conversar até de manhã como se nos tivéssemos conhecido ontem.Temos uma história e damos gargalhadas a meio da noite mas já em surdina para não acordar as crianças.
O tempo não pára. Os dias estão diferentes. Mas mesmo a uma velocidade estonteante tenho de tentar parar para guardar. Nos guardar.
sexta-feira, 24 de julho de 2015
It's a kind of magic....
Há um momento mágico. Não chega a durar mais de 5 minutos mas é repleto daquela doçura infantil e de amor pueril. O despertador toca. O quarto na penumbra. A cama quente. Há aquele despertar mas sem acordar e meia ensonada procuro as tuas pernas. E tu meio a dormir procuras pôr-me dentro do teu abraço. E ficamos ali. Ensonados. Adormecidos. Enrolados e abraçados. Suspiro. Não há sitio melhor no mundo que o teu corpo. O despertador toca de novo, empenhado em tirar-nos o momento de sabor a paraíso. Mais 5 minutos dizes tu e programo-o eu. E depois 5 minutos são 5 segundos e a vida nao pára e é preciso sair deste estado semi-comatoso de felicidade. Há um momento mágico. Não chega a durar mais de uns minutos mas é tudo. E dá-me energia para enfrentar o dia até sermos só os dois, outra vez. De pernas entrelaçadas e num abraço ensonado.
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