sexta-feira, 24 de julho de 2015
It's a kind of magic....
Há um momento mágico. Não chega a durar mais de 5 minutos mas é repleto daquela doçura infantil e de amor pueril. O despertador toca. O quarto na penumbra. A cama quente. Há aquele despertar mas sem acordar e meia ensonada procuro as tuas pernas. E tu meio a dormir procuras pôr-me dentro do teu abraço. E ficamos ali. Ensonados. Adormecidos. Enrolados e abraçados. Suspiro. Não há sitio melhor no mundo que o teu corpo. O despertador toca de novo, empenhado em tirar-nos o momento de sabor a paraíso. Mais 5 minutos dizes tu e programo-o eu. E depois 5 minutos são 5 segundos e a vida nao pára e é preciso sair deste estado semi-comatoso de felicidade. Há um momento mágico. Não chega a durar mais de uns minutos mas é tudo. E dá-me energia para enfrentar o dia até sermos só os dois, outra vez. De pernas entrelaçadas e num abraço ensonado.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
Better-half
Para mim és esta foto.
A calma de uns olhos fechados num dia de sol, a força de vontade numas ondas do mar. A imensidão do céu e o aconchego bom que só se encontra no frio. O silêncio cómodo. A minha paz. O meu colo. A minha casa. É infantil dizer isto, mas morro de saudades quando não estás comigo. E há vezes em que sem saber como, olho para ti e apaixono-me mais um bocadinho.
A calma de uns olhos fechados num dia de sol, a força de vontade numas ondas do mar. A imensidão do céu e o aconchego bom que só se encontra no frio. O silêncio cómodo. A minha paz. O meu colo. A minha casa. É infantil dizer isto, mas morro de saudades quando não estás comigo. E há vezes em que sem saber como, olho para ti e apaixono-me mais um bocadinho.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
Chuva
A casa vazia em silêncio. A chuva lá fora e um frio dentro dela. A solidão dilacerante de quem um dia já teve tanto. A falta de um sorriso, a falta de um abraço. Ela sozinha numa casa escura, fria, morta. O que a matava era o passado. A sensação de impunidade que o passado lhe imputava nos ombros. A falta de força para quebrar correntes, para berrar. No fundo perguntava-se para quem berraria. O silêncio numa casa vazia era tudo o que lhe restava. E a chuva lá fora. E um frio a crescer dentro dela.
Era visitada por fantasmas. Dos dias bons, do que ela pensava serem dias maus. E o sorriso. Era sempre o sorriso que a tramava. A falta de conversar, do toque de outro alguém no seu próprio corpo. E berrava, aninhava-se agarrada à barriga num berro sem som. Numa dor alagada em suor. E o futuro tão distante do que poderia ter sido. E a dor tão real como deveria ter sido. A chuva lá fora. E um frio tremendo dentro dela. Falava, falava muito. Sozinha. E então a loucura começou a ser companhia. Chegou de mansinho, fez-se amiga. Ouvia-a, tinha plateia para os berros. Sentia festas no ombro e alguém lhe penteava os cabelos. A chuva. Nunca mais passava lá fora. E o frio adensava-se dentro dela. E o passado e o presente num golpe trágico misturaram-se com o futuro e atraiçoaram-na. Deixou de saber quem era. O que tinha sido. E o que queria ser. Perdeu-se nos berros, nos cabelos desgrenhados e no formigueiro do ombro. Era a chuva. A chuva continuava lá fora. E o frio tinha-a congelado.
domingo, 8 de fevereiro de 2015
Não é....
Não é sempre fácil. O dia a dia, a pressa de chegar, de fazer, de estar. Não é sempre fácil. Os problemas, as dificuldades, os obstáculos. Não é sempre fácil. Os feitios, os amuos, as cedências. Não é sempre fácil, na verdade, raramente é fácil. Mas a certeza é uma. Vale a pena, compensa. E a pressa é precisa para que se dê valor à paz. Para que se possa apreciar em plenitude a quietude do dia. E os problemas são ultrapassados em sprint de maratonista, porque de nada nos serve o baixar de ombros e a perda do sorriso. E os feitios e os amuos são vistos como o nascimento de uma nova paixão e um “espera lá que afinal gosto tanto de ti.”
E às vezes, quase sempre, tu esqueces-te de dizeres que me amas, mas continuas a fazer-me festas quando pensas que já durmo depois de discutirmos. E quase sempre me dás beijos de fugida e quase sempre cobrados, mas ainda fechas os olhos quando mos dás, numa entrega só nossa. E muitas vezes eu cobro, peço, exijo mimos, mas no fundo os teus mimos estão em tudo o que fazes para que o dia ande para a frente e no fim da noite consigamos estar os dois abraçados num momento só nosso.
Não é sempre fácil. Mas contigo é sempre perfeito, na nossa doce imperfeição.
segunda-feira, 6 de outubro de 2014
Outubro Mês da prevenção. Porque não acontece só aos outros.
Sei exactamente onde me foi dada a notícia. Sei o que ia fazer, para onde ia e o que vestia. Lembro-me sobretudo do silêncio do telefone mudo dos dois lados. E do frio do medo. Afinal não acontece só aos outros. Merda. Tinha acabado de nos acontecer a nós. Lembro-me da calma dela a dar a notícia. E do furacão da minha irmã quando chegou a vez dela de saber. Merda. E agora?
Todo o processo foi levado com a força que eu sempre soube que ela tinha. E com uma coragem que só lhe conseguia imaginar. O corte de cabelo. Curto. A queda do cabelo. Lenços. Quimioterapia e um sorriso nos lábios. Sei que teve muito medo, que se sentiu derrotada, que chorou atraiçoada pela vida, mas também sei que nunca o demonstrou. Por nós. Porque nós estivemos sempre em primeiro lugar.
O único impacto que tive foi numa manhã que apareci de surpresa e a vi a acordar. O ar pesado, os ombros curvados, a cabeça careca e um olhar triste. E ali enquanto me sentia como se tivesse acabado de levar uma tareia, admirei-a mais. A minha mãe era uma lutadora. Todos os dias contrariava a doença e maquilhava-se, arranjava-se e não se entregava à sua condição de doente oncológica. Por nós, para não lhe sentirmos a dor, pelo meu pai, para não lhe ver a preocupação estampada no rosto e por ela para lutar com todas as suas armas contra o filho da puta do cancro de mama. Não acontece só aos outros. Nem vem em carta registada com aviso de recepção. Aparece. Instala-se. Mata. A minha mãe tem vindo a lutar. Tem-lhe ganho todas as batalhas, com um sorriso nos lábios e determinação na alma. Eu ganhei o vício de a abraçar mais e de lhe dizer que gosto dela. Porque não acontece só aos outros. Aconteceu-nos q nós.
Todo o processo foi levado com a força que eu sempre soube que ela tinha. E com uma coragem que só lhe conseguia imaginar. O corte de cabelo. Curto. A queda do cabelo. Lenços. Quimioterapia e um sorriso nos lábios. Sei que teve muito medo, que se sentiu derrotada, que chorou atraiçoada pela vida, mas também sei que nunca o demonstrou. Por nós. Porque nós estivemos sempre em primeiro lugar.
O único impacto que tive foi numa manhã que apareci de surpresa e a vi a acordar. O ar pesado, os ombros curvados, a cabeça careca e um olhar triste. E ali enquanto me sentia como se tivesse acabado de levar uma tareia, admirei-a mais. A minha mãe era uma lutadora. Todos os dias contrariava a doença e maquilhava-se, arranjava-se e não se entregava à sua condição de doente oncológica. Por nós, para não lhe sentirmos a dor, pelo meu pai, para não lhe ver a preocupação estampada no rosto e por ela para lutar com todas as suas armas contra o filho da puta do cancro de mama. Não acontece só aos outros. Nem vem em carta registada com aviso de recepção. Aparece. Instala-se. Mata. A minha mãe tem vindo a lutar. Tem-lhe ganho todas as batalhas, com um sorriso nos lábios e determinação na alma. Eu ganhei o vício de a abraçar mais e de lhe dizer que gosto dela. Porque não acontece só aos outros. Aconteceu-nos q nós.
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