sábado, 31 de agosto de 2013

Rituais

É ali que encontro o meu lugar no mundo. Em que deito a cabeça e sou eu. Só eu. Sem pressas, sem corridas, sem responsabilidades ou afazeres. Sem problemas,  sem pensamentos.  É o único sítio onde me consigo esvaziar de tudo o que tenho e no entanto sentir-me inundada de tudo. É ali. Depois de um dia cheio de estímulos que faço reset e me preparo para a azáfama do dia seguinte. Suspiro pela sensação de estar em casa. É ali que moro. No abraço dele. No espaço estratégico entre dois grandes braços e um corpo feito à medida do meu. Um encaixe perfeito. Cabeça, tronco e membros. Ele entrelaça as pernas nas minhas, os pés cumprimentam-se e o coração suspira. Estamos em casa. Moramos um no outro.

(Depois ele adormece e ressona, e eu viro-me e babo-me enquanto durmo, mas naquele momento, o amor acontece)

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Do co-sleeping

Quando Miss leonor nasceu cá em casa só se dormia durante o dia. À noite a cachopa abria aqueles faróis azuis e nada de pregar olho. Palrava, ria,  não chorava mas a minha recente condição de mãe não me deixava adormecer com ela ali desperta. Até que no meio de uma mamada noturna a pus a dormir no nosso meio. Eu adormeci e a miúda também! E repeti a proeza na noite seguinte e pronto foi remédio santo, ela mal despertava punha-a na mama e ela comia a dormir, eu dormia e estávamos todos felizes. Tenho a convicção que foi por isso que com ela nunca soube o que era uma noite má. Claro que vozes críticas se levantaram: "ai que ela nunca mais vos sai da cama!" "Ai que ela nunca vai dormir sozinha...." "ai que vocês se vão separar porque não têm a vossa intimidade" e eu impelida por um sentimento de culpa aproveitei a mudança para casa dos meus sogros fiz a transição da miúda, na altura com 9 meses,  para um quarto só dela. Pois que não.  Ela chorava horas a fio e nenhuma teoria funcionava e eu recusava-me a criar-lhe uma angústia de separação e a pô-la num estado de ansiedade tal só para não ouvir as bocas... Continuámos a fazer ouvidos moucos e continuámos a dormir muito bem a três.  Eu já estava grávida outra vez (e supostamente sem intimidade com o meu gajo!) e decidi que quando a pisca pequena nascesse passava as duas ao mesmo tempo. E assim foi. Miss Lara nasceu e enquanto mamou de 3 em 3 horas dormiu conosco. Sempre foi mais independente (e esta sim em bebezinha deu noites más!) e pouco dada a apertos e encostos dormia sozinha. Até que a Leonor fez 2 anos e com a Lara já nos 8 meses e a mamar apenas uma vez por noite fizemos a transição. Não podia ter corrido melhor. A Lara acorda só para comer e a Leonor depois de a adormecer (mãeiiiii dêta Nônô) dorme a noite toda na sua cama de crescidos! Eu estou com uma certa pena e de manhã confesso que a adoro trazer para o nosso meio para mais uma horinha de preguiça mas ao fim de 2 anos provo o que sempre disse e a máxima que adopto na educação das minhas filhas. "Ela quando estiver preparada faz!"

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

1de Agosto de 2011

Foi há dois anos que a nossa vida mudou completamente. Num momento éramos só nós os dois e depois já não éramos.  Nunca mais seríamos. Tive medo... Muito medo. De não saber cuidar de ti. De não te saber decifrar. De não gostar de ti. E depois tu nasceste. E nesse dia, Leonor, o meu coração aumentou mais um bocadinho e eu sentia-me inundada com o meu amor por ti. Daquele dia recordo o amor nos olhos do teu pai a pegar-te pela primeira vez, quando a enfermeira te trouxe de volta. Ali ao vê-lo completamente embevecido por ti soube que não podia ter escolhido outro pai para a nossa família. Tive a certeza de que juntos podemos fazer a maior travessia no deserto que ele vai lá estar para nós e nunca vai deixar de lutar para e por nós.  Mesmo que as forças lhe faltem. Recordo também a nossa primeira noite juntas, sozinhas. De te pegar ao colo, susurrar ao ouvido que te amava para sempre e de te fazer festinhas no nariz. As mesmas festinhas que te faço ainda hoje enquanto adormeces ao meu colo. Passaram dois anos e se é verdade que parece que foi ontem,tenho também a sensação que estás cá desde sempre. E é tão bom filha! A nossa vida está de pernas para o ar e muitas vezes é nas tuas gargalhadas,  nos teus beijos e no teu miminho que vamos buscar forças para mais um dia. Muitas vezes a minha única alegria e que me deixa este coração de mãe sossegado é saber que és uma menina feliz. Muito feliz. Que ris muito, que dá beijos a toda a hora e que nos mimas a todo o momento. Parabéns Leonor.  Muitos parabéns meu amor!

sexta-feira, 26 de julho de 2013

A menina!

"Filipa, desce daí que vais cair!"
"Deixa a menina!"

Era quase sempre assim em casa da avó Céu. Neta mais velha, única durante uns bons anos, tinha direito a fazer tudo. A minha avó tinha uma paciência de santa e fazia de uma semana de férias em casa deles um teatro de brincadeiras. A minha avó não sabia ler nem escrever mas tão depressa era dona de uma mercearia " ó dona miquinhas quero um quilo de arroz se faz favor ", como era médica de um grande hospital " ó senhora doutora tenho aqui uma dor de ouvidos". E a semana passava entre mercearias, hospitais,  escolas e farmácias... O meu avô,  mais antigo e recatado deixava-me fazer o impensável aos olhos dos filhos e enchia-me de bolachas quando lá íamos! Eram a minha avó Céu e o meu avô Mundo. E fazem-me uma falta desgraçada.

Falar na minha avó Maria (que nunca teve Maria no nome e se chzmava Joaquina) é faltar-me o ar enquanto escrevo. A minha avó Maria era a chefe de todos nós.  Comandava os filhos e os netos com um capitão comanda o seu navio. De pulso firme mas de um amor desmedido. Da minha avó sinto falta de tudo. Do berro mais alto a pôr-nos na linha, do dinheiro dado às escondidas como um segredo só nosso, da gargalhada ruidosa que enchia uma sala, das batatas "à inglesa" cortadas finamente sem compara com quaisquer outras, da aletria e das rabanadas no Natal. Dos rissóis,  da cabidela. Do amor transformado em comida. "Come filha, ainda não comeste nada!" e enchia pela 3a vez o prato... Da minha avó Maria não consigo quantificar as saudades. Há pessoas que deviam ser eternas. A minha avó Maria era uma delas. ♡

(Ao meu avô Álvaro já lhe dei os beijos todos que tinha a dar e os mimos todos qur tinha para lhe dizer. Quando eles estão cá é tudo tão mais fácil e nós nem damos conta! )

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Caos ♥

Ontem naquele lusco-fusco antes de adormecer e na ressaca do stress do fim do dia lembrei-me da calmaria que era a nossa vida A.D (Antes Delas). O acordar com tempo. Os banhos demorados. O sair de casa em 5 minutos. A impulsividade das saídas. As horas (horas!) sentados no sofá ao Domingo a ver séries ou filmes. O silêncio! O momento zen do xixi... Tudo utopias nesta fase em que literalmente nem tempo para me coçar tenho! Acordar em fast-foward, vestir-me à pressão, acordar uma, dar-lhe a mama, fralda nova, creme, roupa (separada na noite anterior), pô-la na coque, acordar a outra, dar-lhe o leite ("num queio"), tirar fralda ("num queio") vestir e levantar "(NUM QUEIO!"). Pôe a maior no carro, voltar para buscar a mais pequena.  Carteira, saco delas, lancheira, e o puto do biberão da água que me esqueço sempre de encher! E depois, chora uma, dorme a outra. Por fim adormece também e penso "rico descanso!" Pois sim, acorda a outra.  Enfim, muda tanta coisa! E no entanto o coração bate com sentido. O cansaço é sempre posto de lado a cada gargalhada delas. As brincadeiras são o momento alto dos nossos dias. E aquele momento em que nos abraçam é mágico.  Juro que o tempo pára. Muda tudo. Nada do que conhecíamos fica igual.  São um pequeno furacão que nos irrompe pelo peito e não deixam nada no sitio!
♡♡♡