quinta-feira, 1 de agosto de 2013

1de Agosto de 2011

Foi há dois anos que a nossa vida mudou completamente. Num momento éramos só nós os dois e depois já não éramos.  Nunca mais seríamos. Tive medo... Muito medo. De não saber cuidar de ti. De não te saber decifrar. De não gostar de ti. E depois tu nasceste. E nesse dia, Leonor, o meu coração aumentou mais um bocadinho e eu sentia-me inundada com o meu amor por ti. Daquele dia recordo o amor nos olhos do teu pai a pegar-te pela primeira vez, quando a enfermeira te trouxe de volta. Ali ao vê-lo completamente embevecido por ti soube que não podia ter escolhido outro pai para a nossa família. Tive a certeza de que juntos podemos fazer a maior travessia no deserto que ele vai lá estar para nós e nunca vai deixar de lutar para e por nós.  Mesmo que as forças lhe faltem. Recordo também a nossa primeira noite juntas, sozinhas. De te pegar ao colo, susurrar ao ouvido que te amava para sempre e de te fazer festinhas no nariz. As mesmas festinhas que te faço ainda hoje enquanto adormeces ao meu colo. Passaram dois anos e se é verdade que parece que foi ontem,tenho também a sensação que estás cá desde sempre. E é tão bom filha! A nossa vida está de pernas para o ar e muitas vezes é nas tuas gargalhadas,  nos teus beijos e no teu miminho que vamos buscar forças para mais um dia. Muitas vezes a minha única alegria e que me deixa este coração de mãe sossegado é saber que és uma menina feliz. Muito feliz. Que ris muito, que dá beijos a toda a hora e que nos mimas a todo o momento. Parabéns Leonor.  Muitos parabéns meu amor!

sexta-feira, 26 de julho de 2013

A menina!

"Filipa, desce daí que vais cair!"
"Deixa a menina!"

Era quase sempre assim em casa da avó Céu. Neta mais velha, única durante uns bons anos, tinha direito a fazer tudo. A minha avó tinha uma paciência de santa e fazia de uma semana de férias em casa deles um teatro de brincadeiras. A minha avó não sabia ler nem escrever mas tão depressa era dona de uma mercearia " ó dona miquinhas quero um quilo de arroz se faz favor ", como era médica de um grande hospital " ó senhora doutora tenho aqui uma dor de ouvidos". E a semana passava entre mercearias, hospitais,  escolas e farmácias... O meu avô,  mais antigo e recatado deixava-me fazer o impensável aos olhos dos filhos e enchia-me de bolachas quando lá íamos! Eram a minha avó Céu e o meu avô Mundo. E fazem-me uma falta desgraçada.

Falar na minha avó Maria (que nunca teve Maria no nome e se chzmava Joaquina) é faltar-me o ar enquanto escrevo. A minha avó Maria era a chefe de todos nós.  Comandava os filhos e os netos com um capitão comanda o seu navio. De pulso firme mas de um amor desmedido. Da minha avó sinto falta de tudo. Do berro mais alto a pôr-nos na linha, do dinheiro dado às escondidas como um segredo só nosso, da gargalhada ruidosa que enchia uma sala, das batatas "à inglesa" cortadas finamente sem compara com quaisquer outras, da aletria e das rabanadas no Natal. Dos rissóis,  da cabidela. Do amor transformado em comida. "Come filha, ainda não comeste nada!" e enchia pela 3a vez o prato... Da minha avó Maria não consigo quantificar as saudades. Há pessoas que deviam ser eternas. A minha avó Maria era uma delas. ♡

(Ao meu avô Álvaro já lhe dei os beijos todos que tinha a dar e os mimos todos qur tinha para lhe dizer. Quando eles estão cá é tudo tão mais fácil e nós nem damos conta! )

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Caos ♥

Ontem naquele lusco-fusco antes de adormecer e na ressaca do stress do fim do dia lembrei-me da calmaria que era a nossa vida A.D (Antes Delas). O acordar com tempo. Os banhos demorados. O sair de casa em 5 minutos. A impulsividade das saídas. As horas (horas!) sentados no sofá ao Domingo a ver séries ou filmes. O silêncio! O momento zen do xixi... Tudo utopias nesta fase em que literalmente nem tempo para me coçar tenho! Acordar em fast-foward, vestir-me à pressão, acordar uma, dar-lhe a mama, fralda nova, creme, roupa (separada na noite anterior), pô-la na coque, acordar a outra, dar-lhe o leite ("num queio"), tirar fralda ("num queio") vestir e levantar "(NUM QUEIO!"). Pôe a maior no carro, voltar para buscar a mais pequena.  Carteira, saco delas, lancheira, e o puto do biberão da água que me esqueço sempre de encher! E depois, chora uma, dorme a outra. Por fim adormece também e penso "rico descanso!" Pois sim, acorda a outra.  Enfim, muda tanta coisa! E no entanto o coração bate com sentido. O cansaço é sempre posto de lado a cada gargalhada delas. As brincadeiras são o momento alto dos nossos dias. E aquele momento em que nos abraçam é mágico.  Juro que o tempo pára. Muda tudo. Nada do que conhecíamos fica igual.  São um pequeno furacão que nos irrompe pelo peito e não deixam nada no sitio!
♡♡♡

terça-feira, 18 de junho de 2013

Silêncio

Hoje custou. Não sei o que me deu para hoje lá passar. Não sei que designios me fizeram lá ir hoje. A desculpa foi a de sempre. O correio. Tenho que me deslocar 30km para ir a minha casa receber as minhas cartas. Nem o simples fato de receber cartas em meu nome e poder dar-me ao luxo de ir busca-las de chinelo eu posso. Entrei e aquele click excêntrico que o portão faz transportou-me. O silêncio cercou-me (gosto tanto deste silêncio). De repente nada tinha mudado. De repente ouvi o correr seco das patas da minha laika a baterem apressadas no chão em ânsias de nos ver. (Saudades da minha laika) e os olhos humedeceram-se. Imaginei as minhas filhas a correr neste jardim agora repleto de mato. Os escorregas na primavera, a piscina de encher com água gelada no Verão.  A subir ao marmeleiro para roubar marmelos no outono e a olhar por aquelas grandes janelas (iam ser) no Inverno. Planeio sempre o quarto delas. Rosa forte, rosa claro. Colchões no chão, muitas almofadas e os brinquedos todos espalhados. Vejo-nos sempre aos dois enroscados no nosso sofá (o mesmo onde hoje em dia dormimos todos agarrados à memória do que significa, do que já fomos). Dói-me olhar e ter saudades da minha casa de bonecas. (Gosto tanto deste silêncio). Venho num ritual mensal buscar o correio. Normalmente nunca passo do portão. Custa-me muito. Não entrava aqui desde que fiz a reportagem para o Diário de Notícias. Não sei o que me deu para hoje lá passar. Hoje custou.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Sete anos vividos. Uma vida para viver.

Passaram sete anos desde que me encontraste numa fnac cheia de gente, 11 anos depois de me teres visto pela última vez. Passaram sete anos e é íncrivel a forma como ainda te consigo amar mais de dia para dia. Dizer que te amo parece-me ridiculo perante aquilo que sinto por ti. É indescritivel o sentimento que tenho quando o assunto és tu porque é indescritivel o sentimento que temos perante o realizar do maior sonho da nossa vida e tu és isso: o meu sonho tornado realidade. Sete anos se passaram desde que regressaste à minha vida e eu agradeço todos os dias o momento que nos fez reencontrar. Dizem uns que é o destino, outros que tinha que ser, outros que foi o acaso. Eu cá acho que foi uma sorte do caraças. E acho (mesmo!) que fomos feitos um para o outro. E que temos um pelo outro um amor único e raro. Passamos já por muito, estamos a passar por outro tanto ainda pior e no fundo, no fim (da maioria) dos dias o que interessa é estarmos juntos. E ter-mos a certeza que as forças podem falhar, a vontade pode quebrar, as discussões podem surgir, as palavras podem magoar mas no fim de contas estamos juntos. Tenho em ti o meu porto seguro. O meu pedaço de paraíso que me faz sentir bem aqui ou noutro lado qualquer. Desde que esteja contigo. Porque a vida pode estar de pernas para o ar com um flick flack à retaguarda pelo meio mas temo-nos um ao outro. Mesmo. Amo-te como se ama algo que sempre fez parte de nós. Amo-te com a alegria refletida pelas gargalhadas das nossas filhas. Amo-te com o calor do arrepio que percorre o meu corpo com o teu toque. Não gosto de dizer "para sempre". Mas amo-te para sempre. Mesmo!

E que o SIM que dissemos à três anos atrás se repita por muitos, muitos anos.
Parabéns a nós.♡♡♥♥