terça-feira, 18 de junho de 2013

Silêncio

Hoje custou. Não sei o que me deu para hoje lá passar. Não sei que designios me fizeram lá ir hoje. A desculpa foi a de sempre. O correio. Tenho que me deslocar 30km para ir a minha casa receber as minhas cartas. Nem o simples fato de receber cartas em meu nome e poder dar-me ao luxo de ir busca-las de chinelo eu posso. Entrei e aquele click excêntrico que o portão faz transportou-me. O silêncio cercou-me (gosto tanto deste silêncio). De repente nada tinha mudado. De repente ouvi o correr seco das patas da minha laika a baterem apressadas no chão em ânsias de nos ver. (Saudades da minha laika) e os olhos humedeceram-se. Imaginei as minhas filhas a correr neste jardim agora repleto de mato. Os escorregas na primavera, a piscina de encher com água gelada no Verão.  A subir ao marmeleiro para roubar marmelos no outono e a olhar por aquelas grandes janelas (iam ser) no Inverno. Planeio sempre o quarto delas. Rosa forte, rosa claro. Colchões no chão, muitas almofadas e os brinquedos todos espalhados. Vejo-nos sempre aos dois enroscados no nosso sofá (o mesmo onde hoje em dia dormimos todos agarrados à memória do que significa, do que já fomos). Dói-me olhar e ter saudades da minha casa de bonecas. (Gosto tanto deste silêncio). Venho num ritual mensal buscar o correio. Normalmente nunca passo do portão. Custa-me muito. Não entrava aqui desde que fiz a reportagem para o Diário de Notícias. Não sei o que me deu para hoje lá passar. Hoje custou.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Sete anos vividos. Uma vida para viver.

Passaram sete anos desde que me encontraste numa fnac cheia de gente, 11 anos depois de me teres visto pela última vez. Passaram sete anos e é íncrivel a forma como ainda te consigo amar mais de dia para dia. Dizer que te amo parece-me ridiculo perante aquilo que sinto por ti. É indescritivel o sentimento que tenho quando o assunto és tu porque é indescritivel o sentimento que temos perante o realizar do maior sonho da nossa vida e tu és isso: o meu sonho tornado realidade. Sete anos se passaram desde que regressaste à minha vida e eu agradeço todos os dias o momento que nos fez reencontrar. Dizem uns que é o destino, outros que tinha que ser, outros que foi o acaso. Eu cá acho que foi uma sorte do caraças. E acho (mesmo!) que fomos feitos um para o outro. E que temos um pelo outro um amor único e raro. Passamos já por muito, estamos a passar por outro tanto ainda pior e no fundo, no fim (da maioria) dos dias o que interessa é estarmos juntos. E ter-mos a certeza que as forças podem falhar, a vontade pode quebrar, as discussões podem surgir, as palavras podem magoar mas no fim de contas estamos juntos. Tenho em ti o meu porto seguro. O meu pedaço de paraíso que me faz sentir bem aqui ou noutro lado qualquer. Desde que esteja contigo. Porque a vida pode estar de pernas para o ar com um flick flack à retaguarda pelo meio mas temo-nos um ao outro. Mesmo. Amo-te como se ama algo que sempre fez parte de nós. Amo-te com a alegria refletida pelas gargalhadas das nossas filhas. Amo-te com o calor do arrepio que percorre o meu corpo com o teu toque. Não gosto de dizer "para sempre". Mas amo-te para sempre. Mesmo!

E que o SIM que dissemos à três anos atrás se repita por muitos, muitos anos.
Parabéns a nós.♡♡♥♥

terça-feira, 28 de maio de 2013

O melhor dos meus dias #16 [27/05/2013]

O mês de Maio está a acabar

E não consigo que ele acabe sem me lembrar da minha estrela. Se tudo corresse como deveria o meu primeiro filho faria dois anos. Tenho a certeza de que era rapaz tanto como sempre tive que as irmãs seriam meninas. Tenho a certeza de que seria um mimadão, moreno e menino da mamã. Mas quis o destino que as coisas não corressem bem e tive um aborto espontâneo às 11 semanas.
Lembro-me do momento em que decidimos ter um filho. Morávamos juntos à dois anos, tinhamos acabado de casar e com o corre corre do casamento decidimos engravidar. Foi logo à primeira. Descobrimos dia 1 de Agosto, (ironia do destino, Miss Leonor nasceria exatamente 1ano depois), ele olhou para mim (como fez nas gravidezes seguintes e disse: "estás grávida"!) não acreditei...levantamo-nos cedo, fui colher sangue e partimos para Alfândega da Fé onde ele estava a remodelar uma clinica. Almoçamos expectantes à espera das 14 horas para ligar para o laboratório. Ligou ele, eu não tive coragem. E veio a noticia. Inchei de felicidade. Senti-me a mulher mais sortuda do mundo. Comparei o sentimento a ganhar o euromilhões. Fiz contas, era Agosto, nasceria em Maio, como a tia Raquel (a Leonor nasceu em Agosto como a tia Andreia). E senti-me importante, tinha o meu bebé em mim. Até ao dia 17 de Setembro. O pesadelo tornou-se realidade e perdi-o. Valeu-me o homem da minha vida ao meu lado. Que engoliu o sofrimento dele para não me deixar cair no abismo. Que todas as noites me deixava chorar no peito dele e com festas me garantia que logo logo teriamos um piolho a correr lá em casa. Se tudo tivesse corrido bem faria agora dois anos. Claro que não me posso queixar. A vida presenteou-me com duas filhas lindas, especiais, amorosas e de sonho. Mas nenhum filho substitui outro. E sinto falta daquele que nunca cheguei a conhecer.

segunda-feira, 27 de maio de 2013