terça-feira, 28 de maio de 2013

O mês de Maio está a acabar

E não consigo que ele acabe sem me lembrar da minha estrela. Se tudo corresse como deveria o meu primeiro filho faria dois anos. Tenho a certeza de que era rapaz tanto como sempre tive que as irmãs seriam meninas. Tenho a certeza de que seria um mimadão, moreno e menino da mamã. Mas quis o destino que as coisas não corressem bem e tive um aborto espontâneo às 11 semanas.
Lembro-me do momento em que decidimos ter um filho. Morávamos juntos à dois anos, tinhamos acabado de casar e com o corre corre do casamento decidimos engravidar. Foi logo à primeira. Descobrimos dia 1 de Agosto, (ironia do destino, Miss Leonor nasceria exatamente 1ano depois), ele olhou para mim (como fez nas gravidezes seguintes e disse: "estás grávida"!) não acreditei...levantamo-nos cedo, fui colher sangue e partimos para Alfândega da Fé onde ele estava a remodelar uma clinica. Almoçamos expectantes à espera das 14 horas para ligar para o laboratório. Ligou ele, eu não tive coragem. E veio a noticia. Inchei de felicidade. Senti-me a mulher mais sortuda do mundo. Comparei o sentimento a ganhar o euromilhões. Fiz contas, era Agosto, nasceria em Maio, como a tia Raquel (a Leonor nasceu em Agosto como a tia Andreia). E senti-me importante, tinha o meu bebé em mim. Até ao dia 17 de Setembro. O pesadelo tornou-se realidade e perdi-o. Valeu-me o homem da minha vida ao meu lado. Que engoliu o sofrimento dele para não me deixar cair no abismo. Que todas as noites me deixava chorar no peito dele e com festas me garantia que logo logo teriamos um piolho a correr lá em casa. Se tudo tivesse corrido bem faria agora dois anos. Claro que não me posso queixar. A vida presenteou-me com duas filhas lindas, especiais, amorosas e de sonho. Mas nenhum filho substitui outro. E sinto falta daquele que nunca cheguei a conhecer.