segunda-feira, 15 de novembro de 2010

A minha Super-Mãe

Eu tenho uma Mãe que pode seguramente concorrer para a melhor mãe do Mundo. Claro que tem defeitos, claro que tem o seu temperamento e o seu mau-feitio, claro que comete erros e falha. Mas basta dizer que é a mãe que eu gostava de ser um dia para os meus filhos para se perceber que aquela mulher é a minha heroína.
Há um ano atrás foi diagnosticado à minha mãe um Cancro de Mama. Prova que não acontece só aos outros e mais uma vez, fomos postos à prova. Era algo descoberto por acaso, mas já um bocadinho grave para uma mãe que nunca fica doente. E apesar de nunca deixar de ter a certeza que ela ia conseguir, vi-a a atravessar cheia de força e coragem todas as fases inerentes ao processo. As cirurgias, a recuperação, os tratamentos de quimioterapia, a queda do cabelo, os tratamentos posteriores à quimioterapia. E a minha mãe nunca baixou os braços, nunca se lamentou, nunca deixou de nos pôr em primeiro lugar.
Quando lhe disse que ia ser avó a minha mãe abraçou-me como se abraça o mundo e quando mais tarde foi comigo ao hospital e ouviu a médica a dizer que tinha perdido o bebé, limpou-me as lagrimas num silêncio que tudo disse. Porque não precisava, porque nunca precisou de falar para me dizer o que quer que fosse, o amor espelha-se nos olhos, e os dela brilham para nós.

Hoje a minha Super-Mãe está de Parabéns. Acabou mais uma etapa no caminho à recuperação. Com distinção. E eu estou muito orgulhosa e agradecida, por ter o privilégio de a conhecer, de ter na minha vida e de ter a sorte inequívoca de a chamar de Mãe.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Acordares

Sete da manhã, eu acordo, ele acorda. Lá fora a chuva cai como se não houvesse amanhã. No despertador uma boa noticia, ainda nos resta mais uma horinha e meia para dormir.  Ele põe-me o braço em cima, eu encosto-me e enrosco-me nele. Ele beija-me o cabelo e ali ficamos. A cair outra vez no sono enquanto a chuva fustiga as janelas, no quentinho. Amo-o. Tenho uma sorte tremenda por o ter na minha vida.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Elas não matam...

Nem me deitam abaixo. Mas que me dói muito passar por tudo o que passei e não receber uma chamada, uma sms, umas palavras de força cinco minutos no MSN, nem sequer uma simples mensagem via facebook, vindo de determinadas pessoas dói. Não mata, nem mói, passa-se por cima e sacode-se o desgosto, mas que fica registado, lá isso fica.

domingo, 26 de setembro de 2010

Do vazio.

Ainda me é muito dificil assimilar o que se passou conosco... Passo de um momento em que pareço convencida que aconteceu, resignada até, e em que me convenço que agora é preciso seguir em frente e tantar uma e outra vez.. Digo para mim repetidas vezes até à exaustão que temos a vida toda à nossa frente e que oportunidades não faltarão para termos um miudo a berrar por nós em plena noite... Como no momento a seguir passo para o enorme vazio que tenho dentro de mim e me dói o facto de já não o ter em mim.
Eu quero um bébé, mas também queria aquele bébé. Com ele senti o meu corpo a mudar, a barriga a crescer, com ele falei horas a fio a dizer-lhe quem tinha à espera e o quão amado já era... Foi para o receber que começamos as obras em casa, foram os nomes que começamos a escolher, os sonhos que começamos a construir. Foram poucas as semanas em que o soube comigo, mas senti-me tão mãe... Era tudo em função deste bébé que já não é meu...
Eu sei que um próximo vai vir, que nos vai dar muitas alegrias e dores de cabeça, que vamos construir muitos sonhos e ter muitos receios sobre o futuro dele. Sei que desta vez talvez não aprecie tanto a gravidez, aterrada de medo que estou que algo corra mal, mas sei que vai ser igualmente compensador estar outra vez grávida.
Mas agora eu gostava que tivesse sido este o meu bébé, a nossa alegria, acho que não merecíamos mais uma dor tão grande, estávamos tão radiantes, tão felizes mesmo e o mundo desaba outra vez desta forma nas nossas vidas. Tenho muita pena, mas hoje em dia custa-me ver grávidas e bébes pequeninos, porque agora era a minha vez.. Custa-me pensar em tentar outra vez porque tudo pode correr mal outra vez.. Nestes dias tem-me custado tudo. Principalmente acordar e tentar viver a vida com os olhos postos no futuro.

sábado, 18 de setembro de 2010

Ficar sem chão...

Às vezes acho que não estamos destinados a ser felizes. Que mal ousamos sonhar um bocadinho logo vem o destino e corta-nos os sonhos. Às vezes acho que acabamos por esgotar toda a sorte que tínhamos quando nos reencontramos e tivemos a certeza de que juntos éramos mais. O amor que sentimos um pelo outro, a união que temos é posta à prova constantemente. E agora, depois de tanto azar, de tanta dor, de tantas e muitas tragédias achei mesmo que tinha chegado a nossa vez de sermos felizes. Achei mesmo que agora nos tínhamos tornado invencíveis e que nada conseguiria abalar a nossa felicidade. Enganei-me, mais uma vez. Estamos de novo a ser postos à prova. Quando achei que agora iríamos recuperar um pouco do céu e da paz que merecíamos volta esse destino para nos destruir os sonhos que havíamos vindo a construir a três. Sei que não é o fim do mundo, sei que teremos muitas mais oportunidades de virmos a ter um bebe forte e saudável... Mas hoje dói. Porque acreditei mesmo que mais nada de mal nos iria acontecer... E afinal foi mais um puro engano...