sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

2010

O tempo corre e nós nem damos pela sequência dos dias. Ainda ontem tinhamos um ano novinho para estrear e de repente damos conta e já se passou quase um mês. Na passagem do ano não houve pedidos, desejos, alegrias. Houve um olhar em frente expectante de saber o que aí vem. Depois de tudo o que aconteceu, e que ainda permanece aberto nos nossos corações, não há muito a pedir, não há muito a desejar. Chegou-se a um estado de quietude que não nos deixa espaço para sonhos ou desvarios. E de repente os dias seguem-se uns a seguir aos outros e não deixam marca, não deixam lembranças. E é uma rotina que no corrói, que nos magoa, que nos desgasta.
Daí que uma destas manhãs, o simples facto de ele ter acordado, me ter pedido para o abraçar e me ter dito "Amo-te" bem baixinho, mesmo no ouvido, ou o facto de uma noite destas ao chegar do trabalho ele me ter pedido para ficar ali no sofá bem agarradinha a ele e me ter dito "Tive saudades tuas" quando esteve comigo à hora de almoço, bastou para eu achar que é hora de acordar. De fazer memórias novas neste ano novo, que não é, de todo, um ano igual aos outros. É o nosso ano. É único.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Sem Sentido

O ser humano é um queixinhas inato. Queixamo-nos porque está frio, queixamo-nos porque está quente, queixamo-nos porque não temos tempo para nada, queixamo-nos porque não temos nada para fazer. Queixamo-nos que não temos dinheiro, que estamos gordos, que a gasolina está cara, que não temos férias, que não avançamos. A vida passa-se a sim, nós a queixarmo-nos e o tempo a passar. E depois atinge-nos.
Acontece uma tragédia e deixamos de fazer sentido, fazer queixa já não tem qualquer impacto, percebemos ali naquele exacto que tudo o que nos queixamos é secundário, tem solução, tem uma saída. E o mundo pára. A morte que nos caiu em cima não nos deixa espaço para saídas, não existem.
E depois é uma dor que nos cerca como um nevoeiro e não nos deixa respirar, faltam-nos as forças nas pernas e apesar de estarmos a repetir pela milionésima vez "isto é um pesadelo", na milionésima primeira vez ainda não nos soa a verdadeiro. Aconteceu. E revivemos os momentos antecedentes até à exaustão, e os momentos em que as coisas que ainda faziam sentido e estávamo todos, e a inevitabilidade de que nunca mais vamos ouvir, ver, sentir aquela pessoa cai-nos nas costas e esmaga-nos o peito. E dói. Parece irreal.
E vemos que o mundo continua, imune ao que se passou, nada mudou, nada se alterou, as pessoas continuam nas suas vidas, e nós com aquela tragédia que não nos cabe no coração e sem respostas que nos confortem um bocadinho a alma. E depois é o futuro que nos chega inevitavelmente mais cedo com as coisas que vão agora acontecer sem ele do nosso lado. E é o passado a fazer doer mais um bocadinho pelas lembranças que nos vão sobressaltando o corpo.
O meu sogro faleceu, assim de repente, sem que nada fizesse prever este desfecho. E de todas as mortes com que já tive que lidar, em nenhuma me foi tão dificil aceitar o facto de que nunca mais o vou ver. É um pesadelo. Os sonhos ficam de lado, as queixas de sempre perdem o sentido. A minha melhor metade estilhaçou-se no chão e nunca mais vai ser o mesmo. Perdeu o pilar dele, a pessoa que para o bem e para o mal estava do lado dele incondicionalmente, a pessoa que mais o amava neste mundo, ganhou uma estrela guia. E eu entendendo a dor que lhe trespassa ainda o coração só espero saber acompanha-lo e dar-lhe todo o apoio que ele necessitar, hoje e sempre. Quando achamos que a vida já não nos pode negar mais nada, vem o destino e deixa-nos sem chão.

sábado, 14 de novembro de 2009

Sabemos que andamos a jogar demasiado FarmVille quando...

... passamos de carro por um limoeiro carregadinho e procuramos o triangulo cor de rosa em cima... E depois como se não bastasse ainda pensamos, aquele já estava bom para apanhar... No comments.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

100 palavras

Eu não sei que mais fazer para sair desta maré de azar, não sei que mais dizer, não sei onde é que pode existir uma saída. Parece que estamos cercados por um leve nevoeiro carregado de má sorte que não nos deixa respirar de alivio, que não nos deixa desfrutar do bom que é sermos dois num só. E eu penso (já) em modo de desespero que devemos mesmo ter algo em grande, esgotamos a sorte toda da vida quando nos conhecemos e decidimos ficar juntos, que há invejas, que tenho que ir à bruxa, eu sei lá... Desespero, porque quando as coisas começam a correr bem há sempre qualquer coisa que vem e nos corta as pernas de novo, porque quando tentamos mais uma vez levar o barco a bom porto começa outra tempestade, porque ainda nem nos refizemos de uma dificuldade e logo outras se avizinham.
E depois vejo-te a desesperar e sinto-me pior porque te vejo a pensar que falhaste em dar-me o que preciso, porque te sentes impotente perante tanta adversidade e eu não sei que mais te dizer para que te convenças que a mim não me falta nada desde que estejas comigo, que não há nada que eu queira mais do que te ter ao meu lado. Mesmo sem festas e restaurantes, mesmo sem roupas novas ou prendas, mesmo sem fins de semana romanticos numa aldeia qualquer, não há mesmo nada, que compre o prazer que é estar contigo no sofá, não há nada que se compare ao sentimento de plenitude que me atinge de cada vez que penso que estamos ali, em nossa casa, com as nossas coisas, só os dois. Não há mesmo nada que me faça trocar esta vida contigo em que a sorte escasseia por uma vida sem ti e com toda a sorte do mundo.
E ontem, à noite no sofá (enquanto te ganhava no buzz) eu não podia ter esquecido mais todos os nossos problemas, porque estavas ali comigo, porque nos rimos, lutamos, brincamos os dois, juntos. Porque apesar de tudo nos completamos de tal forma que o resto do mundo desaparece, juntos. E porque no fim quando fomos para a cama, juntos, e tu me puxas para ti, poes as tuas pernas entrelaçadas nas minhas, e te queixas da falta do beijo de boa noite, eu sei, nós temos toda a sorte do mundo, temo-nos um ao outro. O resto nós conseguimos superar, ultimamente com mais dificuldade, mas superamos. Juntos.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Private Post*

Há dias que são uma merda. Em que damos espaço ao cansaço, deixamo-nos quebrar, e de repente tudo nos parece tão mau, sem ponta de fuga que não o abismo. É nesses dias em que nos esquecemos que apesar do outro estar sempre lá, pode às vezes não entender pelo que estamos a passar, e é aí, exactamente por ele estar sempre lá que nos sentimos à vontade de descarregar nele o mal que nos sentimos.
Mas é também nesses dias que eu acredito mais em nós. É nesses dias em que eu prefiro pensar no que temos, no que somos os dois juntos e no que vamos ainda construir.
E depois de tudo, depois de tanto problema, de tanto desespero, de discussões e acusações, eu acredito que nós somos um só, porque depois de um mau momento, aquele movimento, em que na cama me puxas para ti, me aninhas nos teus braços, e em que pedimos desculpa um ao outro, não há sentimento maior do que aquele de segurança que me inunda devagarinho cada pedaço do meu corpo. Não há certeza maior que abale a minha convicção de que juntos somos mais e que os problemas que existem são exteriores a nós e são muito pequeninos perante o amor que me une a ti. E não há amor maior do que aquele que te sai disparado dos olhos, e se traduz num beijo com sabor a paraíso.