Dizem que estar sempre junto incomoda, dizem que passa com o tempo esta vontade de ter o outro sempre por perto, dizem que com o passar dos anos vai diminuindo esta necessidade de ouvir o outro.
Eu não acho, e é por causa de dias como o de hoje. Hoje, depois de ontem, do dia anterior, e do dia anterior a esse ter estado com ele sempre à distância de um beijo, eu tenho umas saudades que não me cabem no peito. Dei-lhe um beijo de boa noite, acordei-o com um beijo de bom dia. Fui leva-lo ao emprego e fiquei assim, com os braços vazios. Já me ligou a meio da manhã e à hora de almoço como faz sempre que não está comigo, já lhe liguei a seguir 2 vezes e é tão bom ver que há sempre qualquer coisa para dizer, nem que sejam completas patetices só nossas. Já me queixei que estou pior da garganta, já lhe falei com voz de mimo, e ele já me disse para não ir trabalhar para quando ele chegasse a casa estarmos juntos.
E há pessoas que não compreendem, que olham para nós e vêm duas pessoas tão diferentes, uma relação tão fora do normal, tão disparatada às vezes e nunca chegam a perceber porquê que ainda estamos juntos. E é em dias como este, em que as saudades não me cabem no peito apesar de ainda de manhã ter-lhe dado um beijo, que eu sei. Fazemos um parte do outro, e já não é a mesma coisa quando estamos separados. E agora enquanto escrevo só desejo arduamente a minha hora de saída, chegar a casa, jantar e deitar-me no sofá, pôr-me debaixo daquele edredon e ali ficar só com ele, completa outra vez.