quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Baixar de braços.

Há dias assim, em que o peso do mundo se abate sobre mim e eu não me sinto aqui. Há dias que correm normalmente e depois com um simples click me refugio na minha alma, parto para parte incerta e fico distante. Há dias em que me apetece berrar por tudo e por nada. Há dias em que, por muito que não se queira admitir, tudo o que se precisa é de um abraço apertado, de um beijo e de ouvir dizer que tudo vai correr bem.
Tenho a minha vida virada do avesso e há dias em que não consigo lidar com isso. Que me dá vontade de baixar os braços, de não lutar mais, de entregar os pontos. Mas não posso, merecem que eu lute, que eu me faça forte. E há dias que a força falha. E para isso tenho-o a ele.
É ele que me percebe nos silêncios, me entende no olhar triste. Me pergunta uma e outra vez o que tenho. E que mesmo depois de mil nadas me abraça com força, me dá o ombro a chorar, me dá beijos enquanto me diz que tudo vai correr bem.
É ele que me deita no colo e me faz festas no cabelo como se com cada gesto meigo me lavasse a alma e me tirasse a tristeza do corpo cansado. É ele que diz que me ama com uma força no olhar que só nós é que sabemos, é ele que me diz que vai sempre estar aqui para mim e que com esse cimentar de certezas eu consigo sorrir um pouco.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Eu quero. Eu mereço.

Hoje vou sair do trabalho, vou chegar a casa, jantar e vou-me deitar no peito dele e matar saudades. De estar só eu e ele ali enroscados um no outro a ver um filme ou um programa na tv. De não ter casa para arrumar, nada para limpar. Só eu e ele. Ali juntos. A namorar, a pegar um com o outro, a rir e a conversar. Depois de 9 dias a trabalhar a tempo inteiro, depois de outros tantos a preocupar-me com trabalho, pais, casas limpas. Eu vou descansar. Chegar a casa, vestir aquela roupa confortável de andar por casa, descalçar os sapatos. E vou estar com ele. Simplesmente eu e ele.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Há fases da vida tremendamente... lixadas.

Há fases na vida em que eu gostava de ser caracol, ou tartaruga... Assim ao minimo problema enfiava-me carapaça dentro e nada do que vinha de fora me podia atingir...
Nos últimos tempos tenho desejado cada vez mais enfiar-me dentro da minha carapaça, os problemas são mais que muitos, as preocupações demasiadas, o nivel de saturação anda lá no alto.
A minha Super-Mãe felizmente está bem, o primeiro nível desta dificil escalada até à recuperação está completo, a operação correu bem, não houve complicações e ela foi super mimada pelos colegas, pelos amigos, e pela familia. Agora estamos no segundo nivel que é a angustiante espera dos resultados para iniciar tratamentos, mas tenho a certeza que com a nossa ajuda e a super vontade dela tudo se irá desenrolar com um enorme positivismo e olhos no futuro.
Não chegando já o negro problema que se abateu sobre nós, a minha rica irmã "decidiu" dois dias antes à operação da minha mãe partir um pé e também ela ter que "ir à faca". E eu vi a minha vida muito mal parada porque entre a minha casa, o trabalho, ajudar em casa dos meus pais estava a contar com a ajuda da minha irmã para segurar as pontas logisticamente lá de casa... Pois que agora era só eu e o meu pai...
Mas pronto, 5 dias depois da operação da minha mãe entra a minha irmã para o bloco e as coisas têm corrido benzito. Falta agora o tempo dos tratamentos para a minha mãe, e da recuperação para a minha irmã, mas devagarinho as coisas lá vão indo. O meu pai tem ajudado imenso, já fez mais nestas semanas que em 26 anos de casamento e o meu amor maior tem sido o meu pilar, dando-me uma ajuda enorme em nossa casa e na dos meus pais.
Quero férias.

sábado, 1 de agosto de 2009

Ele*

Eu de vez em quando volto a apaixonar-me por ele. Há qualquer coisa que activa aquele click e que me faz perceber que apesar de tudo, ele que me completa mais e mais.
Ele é do tipo de pessoa que quando está com o modo discussão ON berra muito, berra alto, diz tudo o que lhe vem à cabeça e mais alguma coisa. Muitas vezes é duro e diz coisas da boca para fora só para magoar. (Como a maior parte de nós eu acho).
Mas depois também é o tipo de pessoa que depois de uma discussão em que eu me meti na cama porque estava exausta e não me apetecia lutar mais contra o mundo nem resolver nada, me faz festas na cara, miminhos no cabelo, dá-me beijinhos nas orelhas, diz-me ao ouvido muito baixinho que me ama, enquanto pensa que já durmo.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Nuvens Negras

Há uns dias surgiram umas nuvens muito negras nos nossos horizontes, e eu dou por mim a ter medo como nunca tive na vida. Tanto, mas tanto medo. Dou por mim a não querer o amanhã porque com ele o futuro pode ser impossível de suportar com tamanha dor. Ando meio que perdida sem saber o que fazer, o que dizer, o que demonstrar, apenas sei o que sinto. E esse é um medo tão grande, muito maior que os meus ombros conseguem suportar.
E respiro fundo, e rezo não sei bem a quê, nem a quem, porque as pessoas que mais amamos não deviam ficar doentes, deviam ser imortais e não sei se quero acreditar num deus que a deixou ficar assim. Mas dou por mim a rezar, a ter fé que tudo vai correr bem, porque apenas a fé me permite pensar que o sol vai voltar a brilhar e vai empurrar estas nuvens para muito longe.
E é com a maior esperança, com o maior medo do mundo mas também com a maior fé que olho para ela, consigo sorrir e dizer-lhe num abraço, vai tudo correr bem, porque ela é a mulher mais forte, mais bem disposta, mais positiva que eu conheço. E é a melhor Mãe do Mundo. É a minha, e eu amo-a tanto e quero-a aqui comigo.
A minha mãe está doente. Espera-nos a prova mais dificil que já tivemos que enfrentar como família. E sei que ela vai enfrenta-la com a força furacão que só ela sabe ter, e que vamos ouvir muitas vezes aquela gargalhada que enche uma sala. E sei que vai ter sempre junto a si os amigos, a familia, os colegas, porque é impossivel não gostar dela, porque é impossível não a admirar.
E neste momento, em que eu sou filha ponho a minha mãe no meu regaço, faço-lhe festinhas no cabelo como só ela me podia ter ensinado e digo-lhe que não tarda nada já passou. Mas tenho medo. Tanto.
Obrigada aos meus amigos que são os melhores do mundo e que disseram palavras que me serenaram o coração e fizeram com que a pior semana da minha vida chegasse ao fim comigo ainda inteira, ao meu pai que ainda me consegue pegar ao colo num abraço chamar-me de princesa e dizer que tudo vai ficar bem, e à minha melhor metade. Simplesmente não existem adjectivos para o classificar. Ele é mais.