terça-feira, 21 de outubro de 2008

A saga do 6.

600 meses. 6000 Euros. São as únicas coisas que recordo daquele dia 16 de Outubro de 2008. Por volta das 10 da manhã, eu e o meu gajo assinamos um papel normalíssimo que nos levou 6000 (SEIS MIL EUROS) de impostos e que nos vai levar 600 (SEISCENTOS) meses a pagar. O baque ainda não passou. Levaram-me 6 mil euros para imposto. Não os comi, não os bebi, não lhes senti o cheiro, nem os usei para uma plástica. Foram embora, assim como chegaram do banco, de fininho. Agora já estou mais calminha, mas durante uns dias visualizava-me a esmagar com um barrote de ferro a cabeça daquele que se abeira-se de mim a falar da crise em que o Estado está. Crise a rameira que os pariu, que levaram-me 6 MIL EUROS, só porque sim.
E os 600 meses? Que confusão me fizeram ver lá 600 meses... Nã0 podiam ter lá escrito 50 anos? É que parece muito menos tempo do que os 600 meses que ainda me faltam para pagar a casa!!! Eu não duro 600 meses! Mas como a minha amiga Teresa falou, para o mês que vem já só faltam 599.
Mas lá está, 6 mil euros depois, 6 idas ao IKEA buscar as mobilias, 3 discussões com o meu gajo pela disposição dos móveis mais 3 por eu não ter força para pegar no pénis das caixas, e a faltar 600 meses para lhe poder dizer de livre direito que é nossa. Temos casa.
E é óptima a sensação de chegar a casa ao fim do dia e me aninhar nos braços dele. E de adormecer sempre com os pés quentinhos, porque ele tolera aquecer-me os meus pés de gelo. E o beijo de boa noite. E de poder dizer que o amo todos os dias.
Obrigada a TI meu amor.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Reminiscências

Segunda-feira fui a Lisboa, precisava de ir à faculdade tratar de umas coisas, entrei no Intercidades e meti-me ao caminho. E de repente deram-me as saudades, fiquei nostálgica por um tempo que já passou, aconteceu, em que tanto as coisas boas como as más foram vividas em pleno.
Chegar a Lisboa e ser recebida por uma cidade de Inverno. O transito caótico de fim de tarde, o corre-corre para lado nenhum. O frio ao andar a pé naquelas ruas que já foram as minhas. Decidi deixar o 28 de parte e ir a pé desde Santa Apolónia até ao Cais do Sodré. Matar saudades das minhas ruas, dos meus cafés de sempre, das pessoas de todos os dias.
É estranho estar com saudades de alguma coisa da qual eu optei por largar, é estranho sentir-me bem numa cidade da qual quis fugir. Mas também é verdade que foram 5 anos. 5 anos de loucuras, de aventuras, de sorrisos e devaneios. O Panteão e as Serenatas, as Recepções aos Caloiros e as Semanas Académicas, o traçar da capa, as noites no Bairro, as manhãs no Cana Verde, os concertos, os táxis às 5 da manhã, o nascer do dia espelhado no Rio, os passeios pela Baixa, os Km percorridos entre a Rua Augusta e os Armazéns.
Dizem que quando estamos bem connosco só as coisas boas importam, as más são guardadas num fundo recôndito da nossa memória. Eu ainda não guardei todas as más memórias, o estar longe de casa, daquelas pessoas que sabem sempre dar um mimo nem que seja por estarem lá. A sensação de solidão que se abatia sobre mim em cada partida em Campanhã, o estar rodeada de tanta gente e sentir-me a pessoa mais desamparada à face da terra, a sensação de não pertencer a lado nenhum, o estar entre dois mundos. Ainda não esqueci.
Mas tenho saudades de sair da faculdade já com a noite avançada e ir jantar com o pessoal à tasquinha do Sr. Manel e partir em busca do reconhecer da noite, tenho saudades das maratonas de estudo e de trabalhos anuais sempre vividos ao máximo até à hora de entrega, e tenho saudades das horas intermináveis de conversa no Cana Verde, das viagens ao fim da tarde no comboio para casa com o mp3 a falar-me ao coração, tenho saudades do frio espelhado na luz mágica que só Lisboa emana no Outono suavemente misturado com odor das castanhas assadas do senhor do Cais do Sodré. E claro, tenho saudades da malta.
Continuo entre dois mundos. Lisboa estranha-se, mas entranha-se. Prende-nos, largando-nos no corre-corre frenético dos dias. Tenho saudades.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

2 anos

Passaram-se dois anos desde que decidimos terminar o que tinhamos. Passaram-se dois anos desde que tivemos uma grande discussão e saiste daqui e me deixaste perdida. Precisamos de vários meses para remediar os estragos que tinham sido feitos, para nos reconhecermos outra vez. Hoje sei que foram meses que me custaram muito, mas sei também que foram precisos para construir-mos aquilo que temos. Hoje sei que apesar das incertezas, das desconfianças, do medo, a melhor coisa que fiz foi fechar os olhos, abrir os braços e atirar-me de cabeça outra vez em direcção ao "nós". Hoje dois anos depois temos agora algumas certezas. Temos agora em construcção uma vida em comum que se espera que dure para sempre.
O ano passado foi assim.
Este ano chegamos a nossa casa, juntos. Deitamo-nos, enroscamo-nos a ver um filme, fizemos amor, demos um beijo de boa noite que repetimos todas as noites e adormeceste ao meu lado. Adoro ficar a ver-te dormir ali mesmo ao meu lado, à distância de um dar de mãos, de um enroscar de pés. Durante a noite senti-te a mexer, procuraste-me na cama, fizeste-me uma festa e perguntaste se estava bem. Não te respondi, mas sorri. E amei-te. Ainda mais.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

20 dias depois

E eu juro que me queria sentar aqui a contar as novidades, a imortalizar todos os momentos que tenho passado, todas as desavenças e conquistas que se tem feito. Mas hoje que me parecia um bom dia como outro qualquer para me sentar ao computador e contar as minhas aventuras e desventuras no mundo dos crescidos, de repente os dedos prendem e não sai nada coerente. Melhores dias virão, quero acreditar.
A escritura está (finalmente) marcada, foi um parto dificil mas estamos a um passo pequenino de nos endividarmos para o resto da vida e de fazermos de tudo para sermos felizes a maior parte do tempo.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Este é o mês...

Ainda é um bocadinho estranho, mas chegou a altura em que nos vamos (finalmente!) mudar. O meu quarto já foi desmontado, as minhas coisas já estão todas na casa nova encaixotadas à espera que sejam montados os móveis para encontrarem o seu sitio. Ainda não consigo dizer "a minha casa" e a "casa dos meus pais". Mas estou feliz. Aterrada de medo, mas feliz. Devo tudo ao meu gajo. Eu ando meia atarantada com tudo o que há para fazer, o meu gajo cada vez o acho mais um super-homem porque leva tudo de uma forma metódica que faz tudo parecer fácil. Ando às compras, ando de um lado para o outro. Sábado foi dia de andar de loja em loja de lista em riste a comprar tudo o que é preciso numa casa, desde pratos, tachos, talheres, tudo. Domingo foi dia de carregar grande parte da mobilia. Ontem foi noite para namorar. Hoje foi tarde de pintar. Tenho, graças ao meu amor maior, o escritório com uma parede verde alface linda! E cada vez tenho mais a certeza que não há outro como ele, só ele sabe (eu desconfio) como anda cansado e mesmo assim não pára sem deixar tudo direitinho. É graças a ele que vai ser tão bom fazer daquele cantinho o nosso refugio.
A nossa casa. Amanhã ficamos lá.
Para a semana assinamos os papéis e passamos a estar endividados até os nossos netos serem avós. Mas espero que sejamos felizes, ou que nos matemos a tentar.