Há pessoas que ficam admiradas quando digo toda entusiasmada que o meu gajo só agora foi capaz de me olhar nos olhos e dizer que me amava. E eu fico a pensar mas que tipo de amor é aquele que é dito ao fim de 5 minutos? Ao fim de uns meses? Agora que foi dito, eu posso acreditar, porque o amor, é aquele que vai nascendo da convivência, do conhecimento de si e do outro, da construção do nós, aquele que surge espalhado nos olhos e escrito na alma. Não me confundam paixão com amor. A paixão aparece assim que o nosso corpo toca no outro, surge-nos como um ímpeto de ter o outro, daí o “Quero-te. Desejo-te”. Agora amar é muito mais que isso. É muito mais que a urgência de estar perto daquela pessoa, é muito mais que a sensação de que nos falta o ar sempre que estamos sem ela. É muito mais que palavras doces sussurradas ao ouvido, prendas todos os dias. É mesmo muito mais. É saber que nada acaba depois de uma zanga mais feia. É saber que aquela pessoa estará lá para nos apoiar sempre, aconteça o que acontecer, mesmo que sejamos culpados. É saber que podem existir mil pessoas à nossa volta mas que nós só queremos aquela, porque sem ela não somos nós. Porque ela nos completa. É ter a perfeita noção que podemos passar o resto das nossas vidas com ela, apesar de todos os seus defeitos, apesar de todas as suas falhas. E para isso é preciso conhece-las. É preciso tempo. Algum tempo. É saber que as conquistas do dia-a-dia são imprescindíveis para o amadurecimento da relação. E que nem todas as conquistas são boas. Também existem más mas que se tornam tão ou mais importantes que as outras.
E não é por alguém nos dizer a toda a hora “amo-te muito” que isso passa a ser verdade. Que o amor passa a ser mais verdadeiro. Não sou apologista que só se ama uma vez na vida. Mas toda a gente sabe que há um amor que nos fica para sempre, às vezes nem sempre corre bem, às vezes nem sempre somos felizes para sempre. Mas há um “Amo-te” do qual nunca esquecemos a melodia, um “Amo-te” do qual recordamos todos os trejeitos da boca. Há um “Amo-te” que nos fica gravado directamente na alma, e esse nunca mais sai de lá.
O que ouvi Sábado passado foi um “Amo-te” especial. Porque ao fim deste tempo todo, ao fim de tudo o que passamos, ao fim de todas as zangas, de todas as pequenas conquistas, de tudo o que superamos e construímos juntos sei que foi sentido. Sei que até que o amor que temos vindo a construir um dia acabe é com ele que quero passar o resto dos meus dias. E um “Amo-te” tem essa força, é só uma palavra, mas que diz tanto.
When you realize you want to spend the rest of your life with somebody,
you want the rest of your life to start as soon as possible.
"When Harry met Sally"