segunda-feira, 28 de maio de 2007

Cartas mal escritas

Um dia quando deixares de fazer parte de mim escrevo-te uma carta de amor. Para te contar como com pequenos nadas tornaste a minha vida muito mais feliz.
Um dia quando o meu coração não te quiser mais escrevo-te uma carta de amor. Para te contar como com apenas o teu olhar me iluminavas o ser e me tornavas uma pessoa melhor.
Um dia quando a minha alma partir à procura de outra que não a tua escrevo-te uma carta de amor. Para te contar o quanto te amei, o quanto foste amado. Porque mereces saber que fizeste parte de um amor tão grande.

domingo, 27 de maio de 2007

"Para sempre"

Hoje tive um almoço de família, daqueles em que a família toda e mais alguma, incluindo as tias velhinhas todas… Hoje havia fotografias, daquelas a preto e branco de cantos recortados, expressões paradas no tempo de alguém que apenas conhecemos já com rugas, vestidos agora de época, carros agora de colecção, penteados agora fora de moda.
Hoje vi a foto de uma tia com um tio já falecido. Novos, à cerca de 60 anos, ainda dois jovens apaixonados… Ela olha, suspira e diz num sussurro, “Faríamos por estes dias 58 anos de casados”, e eu solto um “Tantos anos!!”, o que a minha tia velhinha me disse a seguir foi como um estalo na consciência e deixou-me à beira das lágrimas, “Para mim foram 57 anos que passaram a correr, dávamo-nos tão bem, era o meu melhor amigo e eu tenho tantas mas tantas saudades dele…”.
E eu calei-me, e sorri triste, porque gostava tanto de ter um amor assim. Gostava de chegar ao fim da vida e poder dizer que durante muitos anos partilhei a vida com o meu melhor amigo, e que esses anos passaram a correr, porque fui feliz.

Hoje em dia já não há amores assim, para sempre. O “até que a morte vos separe” é apenas só até daqui a alguns anos, o amor é algo rápido, fugaz, a monotonia instala-se e a amizade e cumplicidade dão lugar ao “deixa andar” e à individualidade… Os problemas não são resolvidos a dois, são discutidos a dois e acabam quase sempre com um para cada lado… E eu tenho pena, porque só com muita sorte é que terei um amor igual ao da minha tia velhinha. Sempre invejei o amor que os meus pais têm um pelo outro, agora encontrei o futuro deles. E também queria ter um amor assim... Daqueles que é para sempre, porque finalmente podemos sossegar e ser felizes a 100%, porque encontramos a nossa verdadeira alma gémea. E elas existem, eu quero acreditar que sim.

sábado, 26 de maio de 2007

Pesar(es)

Dói-lhe a alma, é algo que ela não quer sentir, mas já não sabe o que fazer para o coração parar de lhe pesar. Sorri, vai buscar as poucas forças que lhe restam ao mais intimo do seu ser. Sabe que está frágil. Falta-lhe a parte vital e sem ela mal consegue respirar. Tenta convencer-se que tudo vai melhorar, vezes sem fim diz para si mesma que foi o melhor. Como um mantra repete que vai ser feliz, que basta fechar os olhos e inspirar fundo, a luz do sol vai dar-lhe a força que precisa, o sorriso, ainda que por agora forçado vai voltar a brilhar…
Dói-lhe a alma. Falta-lhe a outra metade. A que fazia com que os dias parecessem melhor só pelo facto de estar lá. Para tudo. Já não está. Ela pediu-lhe que a deixasse. E ele deu-lhe um beijo triste e deixou-a. Morreram um bocadinho.

E agora a ela dói-lhe a alma e o sol quase que não brilha para lhe retemperar as forças.

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Encruzilhadas

Há dias bons. Mas também há dias em que as horas demoram a passar e cada uma magoa mais que a anterior. Há dias em que andamos ao sabor do vento. Outros é o sol que nos dita os caminhos que temos que percorrer. Tem tudo a ver com escolhas. Estar ou não com um sorriso na cara, estar ou não de bem com a vida, enfrentar ou não as adversidades que se colocam à nossa frente. Todos os dias fazemos escolhas, desde o que vestir de manhã até à condução da nossa vida. São tudo decisões nossas e às vezes tomamos as decisões certas, outras temos que tornar certas as decisões que tomamos.

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Recomeços

Nem sempre é fácil recomeçar. Deixar o passado e seguir em frente. É precisa força de vontade para conseguir fechar os olhos, respirar fundo e pensar que tudo vai correr pelo melhor. Deixar o que nos trazia segurança e nos confortava é um grande risco. Segue-se o imprevisto, o desconhecido é apenas aquilo com que podemos contar. Surpresas às quais não sabemos como vamos reagir. Dói muito seguir em frente. A mim custa-me deixar o conforto do conhecido e entregar-me à volatilidade do que não conheço. Mas é preciso recomeçar quando as coisas não estão bem, é preciso saber parar e pôr fim ao que nos rodeia. E começar tudo de novo. Deixando o passado onde ele está melhor. Lá atrás, onde não nos consegue atingir, servindo apenas para nos guiar. Os recomeços são sempre bons. Trazem a possibilidade de sermos felizes, outra vez.
[Foto: Filipa Moreira. Maio de 2007]