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Hoje tive um almoço de família, daqueles em que a família toda e mais alguma, incluindo as tias velhinhas todas… Hoje havia fotografias, daquelas a preto e branco de cantos recortados, expressões paradas no tempo de alguém que apenas conhecemos já com rugas, vestidos agora de época, carros agora de colecção, penteados agora fora de moda.
Hoje vi a foto de uma tia com um tio já falecido. Novos, à cerca de 60 anos, ainda dois jovens apaixonados… Ela olha, suspira e diz num sussurro, “Faríamos por estes dias 58 anos de casados”, e eu solto um “Tantos anos!!”, o que a minha tia velhinha me disse a seguir foi como um estalo na consciência e deixou-me à beira das lágrimas, “Para mim foram 57 anos que passaram a correr, dávamo-nos tão bem, era o meu melhor amigo e eu tenho tantas mas tantas saudades dele…”.
E eu calei-me, e sorri triste, porque gostava tanto de ter um amor assim. Gostava de chegar ao fim da vida e poder dizer que durante muitos anos partilhei a vida com o meu melhor amigo, e que esses anos passaram a correr, porque fui feliz.
Hoje em dia já não há amores assim, para sempre. O “até que a morte vos separe” é apenas só até daqui a alguns anos, o amor é algo rápido, fugaz, a monotonia instala-se e a amizade e cumplicidade dão lugar ao “deixa andar” e à individualidade… Os problemas não são resolvidos a dois, são discutidos a dois e acabam quase sempre com um para cada lado… E eu tenho pena, porque só com muita sorte é que terei um amor igual ao da minha tia velhinha. Sempre invejei o amor que os meus pais têm um pelo outro, agora encontrei o futuro deles. E também queria ter um amor assim... Daqueles que é para sempre, porque finalmente podemos sossegar e ser felizes a 100%, porque encontramos a nossa verdadeira alma gémea. E elas existem, eu quero acreditar que sim.