Senta-se ao volante… Não sabe para onde ir. Ninguém sabe onde ela está, como está, com quem está. Liga o carro, o rádio começa a debitar música a que ela não presta atenção. Liga as luzes, aperta o cinto. Fecha os olhos, respira fundo. Não sabe para onde ir, mas não pode ficar mais ali. É a única certeza que tem naquele momento. A de que quer fugir e não ser encontrada.Sente-se perdido. Não sabe onde ela se encontra, não sabe com quem ela está, não sabe como é que estará. Sente-lhe o medo, e por isso sabe que a tem que encontrar. Abraçar e dizer-lhe que tudo vai ficar bem. Liga de novo para um telemóvel que ela não irá atender. Passa por casa dela, o carro não está à porta. Conhece-a melhor que ninguém. Sabe para onde ela irá mesmo antes dela. Parte para um lugar onde ela ainda não está mas para onde se dirige.
A música. Ela começa a dar atenção à música que passa no rádio, torna-se difícil manter os olhos abertos com as lágrimas a cair. Chega a uma praia. Sabe que lá está, não sabe como lá chegou. Nem se lembra de ter decidido lá passar. Sai, sente o frio nos ombros, o desconforto na cara. Inspira os resquícios de sol que ainda se fazem sentir. Fecha os olhos. E então apercebe-se que ele está ali. O coração que começou a bater desenfreado momentos antes fê-la sentir que ele estava com ela. Olha à sua volta, e então vê o vulto dele, a sua própria vida reflectida na escuridão das sombras. Ama-o tanto. Tem tanto medo. Quer fugir de tudo. Quer ficar ali, com ele.
Ele vê-a de costas, a olhar para o nada. Sabe que está de olhos fechados, sabe que está a tentar recuperar as forças nos raios de sol que ainda existem. Sabe que a ama. Que ela é o seu tudo. E só a quer abraçar.
Começa a chover. O sol ainda não desapareceu, mas as nuvens juntaram-se em harmonia com o estado de espírito dela. Ele avança, ela recua. Ele alcança-a e estende-lhe a mão. Olha-a na alma. Fá-la estremecer. Ela não lhe consegue resistir. O medo é grande, mas o amor supera-a, e ela dá-lhe a mão de volta, e abraça-o. Ficam ali. Com o medo dela. Com o amor dele. Com a chuva a embala-los num abraço sem fim.

Chegou finalmente! Depois de alguns precalços, adiamentos e dúvidas o grande evento do Instituto Superior de Psicologia Aplicada está aí! E nós lá estaremos, em grande... Estou a morrer de ansiedade de lá chegar, de ver a casa que nos calhou este ano. De encher o frigorifico de bebidas e doces. Dos jogos de cartas, das batotices, dos jogos de macaca às 4 da manhã, das tardes na piscina a dormir depois de uma noite animada. Das parvoices, do comboio que há noite nos leva até à praia. Saudades tantas... Do canto da tuna que nos faz chorar. De poder gozar o resto do ano daqueles que abusam das bebidas. Da hora de jantar, onde 400 pessoas cantam e encantam com a música (didáctica claro!) da Lola. XI Encontro Nacional dos Estudantes do Ispa. Talvez o último, mas de certeza em grande.