Foi há nove meses… Lembro-me de termos marcado à porta da Fnac. Lembro-me de lá chegar e não te ver. De entrar para comprar a prenda para o meu pai que fazia anos no dia a seguir. Lembro-me de estar aterrada de medo. De ter sonhado alto demais e agora ser obrigada a acordar. Ligaste-me, eu não estava à porta. Disse que tinha entrado, mas que ia já ter contigo… Dizes que não, que me encontras… Lembro-me de desligar e pensar como é que depois de 11 anos sem me veres me irias encontrar numa loja enorme e cheia de gente. Lembro-me de continuar virada para a prateleira à procura do cd… E minutos depois ouvi-te um “Boa noite”. Olhei e ali estavas, a sorrir, com uns olhos que me olhavam como antes no recreio da escola primária. Dei-te um abraço, aquele que te prometi, e ri-me. Paguei e fomos embora. Perguntas-me onde quero ir… Tanto faz. Decide tu dizes-me (uma saga que dura até hoje…J) Vamos a Matosinhos, passear junto à praia, por a conversa em dia. Uma conversa animada até lá, o tempo voa.
Chegamos e começa a chover, pouco, mas era chuva. Estamos precisamente a meio de Junho não é suposto chover… Rimo-nos. Decides passear mesmo na praia. Na areia quase junto ao mar… Está frio. Chegaste a mim. Mas eu afasto-me. Começa a trovejar, e eu que tenho algum medo, confesso-te… Gozas comigo e eu finjo-me amuada… Começa a chover a sério e decidimos que é melhor voltar para o carro… Ao atravessar uma rua sem movimento estendes-me a mão e eu agarro-a. Já não a largaria mais… Metros à frente, antes de chegar ao carro, no meio de um pequeno jardim paras. E olhas para mim.
Está a chover, muito. Estamos a ficar todos molhados, mas não importa. Já nada importa naquele momento. Olho para ti e chego-me, encaixo-me no teu abraço, sinto a tua cabeça no meu ombro. Sinto-me, sinto-nos. E foi ali que me apaixonei por ti. Mesmo antes de te dar o primeiro beijo. Foi ali, no meio daquele jardim, numa noite chuvosa de Junho. Aquele primeiro beijo foi bom, foi um reconhecer de algo que estaria já prometido à muitos anos atrás. Foi um beijo com história. E ali quase que voltamos a ser os dois miúdos da primaria, só que ali eu não te fugiria. Encontrei-te, (re)conheci-te.
Estivemos horas à conversa dentro do carro. Sem ninguém à volta. Só nós a tentar recuperar os 11 anos que se passaram. A encontrar coincidências como o facto de termos andado na mesma escola no 12º e nunca nos termos visto. O teu pedido de namoro. Os beijos que se seguiram. A tua mensagem no dia a seguir começada por “Olá meu amor…” Foi um sonho, tem estado a ser um sonho, com alguns percalços, com algumas discussões, com amuos e birras, que no fundo são precisos, e dão-nos vitalidade para mais… Mas é um sonho.
9 meses. E já passamos por tanta coisa. Tantos momentos de pura felicidade. Tantos momentos de pura tristeza. Tantos momentos de dúvidas. De teimosias. De risos e cumplicidades.
O pior de tudo? A distância, com tudo o que ela envolve. E o arrependimento daqueles meses sem ti, por causa de algo que não valia a pena.
O melhor? A cumplicidade. O facto de me desafiares todos os dias, de me fazeres sorrir todos os dias. E me fazeres amar-te mais e mais. Todos os dias, desde aquela noite chuvosa à 9 meses atrás.