quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Insónias

Enrolo o cabelo numa tentativa de me embalar, dou mais duas voltas para o lado frio da cama, a parte que já aqueci incomoda-me. Tenho frio, mas não consigo estar no quente, componho a almofada, que sendo a de sempre hoje me asfixia. Olho para o relógio. Aponta as 4. Olho para o telemóvel, e vejo uma foto dos meus anos e sinto-me sozinha. O silêncio faz-me doer os ouvidos. Magoa. Tento pensar em coisas boas, construo na minha cabeça histórias que nunca contarei, imagino momentos que nunca se realizarão.

Penso. Penso muito e cada vez estou mais longe de chegar a lado algum. O relógio aponta já as 4.45 e a solidão apenas aumentou… Tento em vão esvaziar a mente de tudo, de me esquecer dos problemas, das dúvidas, do que quero ser e não sou.

Ligo a luz da mesa de cabeceira, fico cega momentaneamente por esta explosão de branco. Pego no meu caderno e escrevo-te uma carta. Hoje tenho saudades tuas. Não sei porque me lembrei de ti, logo hoje, não foi um dia mau, não aconteceu nada demais que merecesse a partilha, mas escrevo-te uma carta que não posso mandar, ainda não há correio no sitio para onde foste.

Tenho medo de me esquecer das tuas feições. 4 anos, saíste da minha vida à 4 anos para quê? Eu perdi uma amiga, perdi sonhos de um fim de adolescência juntas, perdi sonhos de casamentos e madrinhas de baptizados, férias em conjunto e confidências e segredos trocados e tu ganhaste alguma coisa com isso?
Eu não, apenas ganhei insónias para me lembrar de ti. Agora apenas te posso escrever cartas que não chegam nunca ao destino… porque não há correio no sitio para onde foste. Hoje tive uma insónia e lembrei-me de ti. Gostava de me lembrar mais vezes de ti. Não te quero de todo esquecer. Mas não quero ter mais insónias.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

"You're my boy"

Hoje perdi um comboio. Ainda o vi na estação, mas nem tive reacção para correr para o apanhar. Hoje cheguei atrasada ao exame. Não tive aqueles momentos de conversa no café com os colegas que antecedem os exames, cheguei mesmo no momento em que a Prof. chamava pelo meu número, já na segunda chamada, entrei na sala ainda a desligar o telemóvel ao mesmo tempo que tentava abrir o estojo para tirar as canetas e procurava o cartão de estudante que andava perdido na mala. Mas valeu a pena.
Quando saí de casa pensava ter tempo para fazer tudo isto nas calmas, mas não, há momentos que por significarem demais merecem que lhes dediquemos algum tempo. Assim que estaciono o carro no parque da estação começa a música. Aquela música, e eu vejo-me invadida por um sentimento de tanta saudade que pensei que o coração me ia parar de tanto doer. Aquela música que cantamos os dois, eu aninhada no teu corpo, naquela noite que significou demais, naquela noite em que nos embalamos um ao outro com músicas cantadas ao ouvido, sussurradas ao coração. Aumento o volume, não ligo para quem passa, o momento é apenas meu, eu e as memórias que aquela música me trás de nós. Cada momento, cada gesto, cada palavra dita, tudo me assoma, tudo faz doer. Tantas saudades. A música cantada a duas vozes. Eu e tu, numa noite em que não existia mais ninguém no mundo, em que mais nada importava senão nós ali juntos depois de tanto tempo.
Aquela música começou no rádio e eu não fui capaz de o desligar, não fui capaz de abrir a porta do carro e deixa-la a tocar. Significou demais. Dói demais, as saudades apertam no coração como um torniquete numa ferida, aquela música é o pano que não o deixa sangrar demais. Tenho tanta pena que tenha que ser assim, que esta distância ainda demore para ser ultrapassada, que as saudades doam ainda tanto e custem tanto a passar.


Como me sussurraste naquela noite: “Many years ago I’ve this dream about this girl, that could fly trough my window and whisper in my ear: You’re my boy.”
Hoje digo-te não ao ouvido, mas ao coração… “You’re my boy.”

domingo, 4 de fevereiro de 2007

Estudar…

Torna-se cada vez mais difícil para estes lados…
Primeiro é esperar que a vontade chegue.. como ela raramente dá sinal, sou forçada a “obrigar-me” a sentar-me à secretária. Depois tem que estar tudo arrumado, que eu nisto sou um bocado obsessiva e não consigo começar a estudar se não estiver tudo no sitio… Depois de finalmente me ter sentado, livros à frente, canetas, folhas, apontamentos, toca de mandar uma Sms para partilhar o sofrimento de ter que ler aquela catrefada de folhas com uma amiga que provavelmente estará a ler as mesmas 1500 folhas, à procura de apoio moral.
Depois é que é, vamos começar… mas antes, que tal ver quem está pelo MSN… "Olha olha quem cá está… Já não falo com ela à cerca de 20 minutos se calhar há novidades e tenho que as saber…"
Meia hora depois a falar de algo tão interessante como o estilo de reprodução do papa-formigas afegão, decido que é melhor olhar para a temática dos apontamentos… “Neurónios-espelho” parece-me bem sim senhor.. vamos lá a ler o que é isto e despachar que às 18.30 começa a Anatomia de Grey na Fox e na 5ª não deu pra ver porque tive exame… Oops, o que é isto? Texto em brasileiro… argh que não acredito… vontade de ligar para o Prof. e perguntar pelos textos em inglês ou espanhol…
Entretanto recebe-se a resposta da amiga, fala-se mal do Prof., combina-se um cinema para depois do exame amanha, manda-se outra Sms pra outra amiga a pedir apontamentos para o próximo exame, vai-se outra vez ao MSN, abre-se o Internet Explorer, vai-se aos favoritos e toca de passear na blogosfera, vai-se buscar alguma coisa para comer, abre-se o WMP, ouve-se música, actualiza-se o mp3, passo a vida a sentar-me e a levantar-me, a focar a minha atenção em tudo o que não se relaciona com os quilos de folhas que tenho pra ler…

Bem resumindo... O texto tá lido, os apontamentos estão em ordem, mas acho que amanhã vai ser difícil passar… ao menos vi a Anatomia de Grey, tenho o quarto limpo e arrumado, o mp3 já com as musicas novas, e o ambiente de trabalho do PC todo arrumadinho. Falei contigo no MSN, falamos sobre sexta-feira (que nunca mais chega!!) … ao menos não se perdeu tudo…
Afinal de contas… há sempre a época de recurso!! J

sábado, 3 de fevereiro de 2007

Olhar(es)

(Foto Apagada)
Tenho saudades dos teus olhos de mel a olhar para mim,
tenho saudades de te ouvir ao ouvido, saudades de sentir os teus lábios nos meus,
tenho saudades do teu corpo quente junto a mim,
tenho saudades de te dar a mão, saudades de te sentir o toque, saudades de me sentir no teu abraço.

Não me digas o que eu quero ouvir.
Já falta pouco. Depois logo se vê
.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Querer(es)

Porque nem sempre são precisas palavras, às vezes o silêncio revela demais, confessa demais, magoa demais, porque nem sempre são precisos gestos, às vezes a quietude diz mais, mostra mais, fere mais.
E não são precisas demonstrações de coisa nenhuma, exacerbações de sentimentos, às vezes um olhar oferece toda a segurança, às vezes algo tão simples como um toque transmite toda a segurança, às vezes uma só palavra conforta mais que uma história inteira.
E às vezes a chave está no simples esforço para que as coisas corram bem, na força de vontade, no querer genuíno.

Porque é só o que é preciso. Querer. Querer muito… e lutar para isso.