Confusa, muito. Sem saber para onde me virar, sem saber o que fazer, sem encontrar respostas para tantas perguntas que ecoam na minha mente.
Hoje foi um sonho. Um sonho daqueles reais, daqueles que quando acordamos ficamos na dúvida se realmente estaríamos a dormir, daqueles que de tão bons, perfeitos que são nos aquecem a alma.
Sei que o tempo que ali vivi não era este meu presente, muita coisa já ali se tinha passado no meio, as pessoas eram novas, o sitio era novo, o contexto era outro. Sei que quando me tocaste senti a correr por mim aquela energia que tenho quando ainda hoje me beijas, aquela que sinto quando me falas ao ouvido, aquela que sinto quando me tocas sem eu estar a contar, quando me envolves nos teu braços por trás e me deixas encostar a cabeça nos teus ombros e me falas ao ouvido.
Sei que foi um sonho. Mas não me saem da cabeça as imagens, não me sai do coração a intensidade dos sentimentos que nele vivi, veio abalar por completo a estrutura que já tinha delineado para mim.
Confusa, tanto. E o tempo que não passa… E era tudo tão mais fácil se eu aí estivesse…
E agora estou para aqui… Com um aperto no peito. Sem saber o que fazer, sem saber se não passou de um sonho, ou de um sinal, de que vale a pena, de que ainda há algo porque lutar.
“Não se deixa de amar alguém de um momento para o outro.”
“Só se sabe se se ama alguém quando se perde essa pessoa.”
Talvez por agora precisemos de nos perder. Um (do) outro. Um (no) outro..
E é isso que me deixa com este aperto. É não saber se me quero perder em ti ou de ti.
Sei que me viste no meio de um grupo de amigos, mas apenas me acenaste com a cabeça, não fizeste qualquer tenção de vir falar comigo, e eu continuei a comentar as fisionomias de quem passava, sei que eu já tinha outro alguém, esperava por ele se não me engano. Passado algum tempo voltaste, e sentaste-te à minha frente, bati-te nas mãos e disse “Olha quem é ele!”, sei que alguém perguntou com espanto de onde é que a gente se conhecia.. lá tive a recontar toda a nossa história… “Andamos juntos na primária, depois no 5º ano fomos para escolas diferente, no 12º andamos na mesma mas nunca nos vimos, e 3 anos depois encontramo-nos num site da Internet e namoramos durante uns tempos”. Outro alguém comentou, “Ah isso é o destino…” mas eu já ali não estava, gritei “Vem ali a minha coisa boa”, e corri para um rapaz que me abraçou, voltamos para o grupo, e tu sais de rompante, sem te despedires de ninguém, sem olhares para mim. E eu corri atrás de ti.
Agarrei-te, perguntei-te o que tinhas. “Nada disseste tu, volta para lá, está tudo à tua espera”. E eu virei costas, atiraste-me com um “Ao menos gostas dele?” que me magoou. Voltei-me para ti. “Lembraste-te quando te disse que te amava e tu não acreditaste? Não se deixa de amar uma pessoa assim, de um momento para o outro”. Agarraste-me as mãos, senti (mesmo!) uma energia a correr por mim. Olhaste para o chão, sussurraste, “Só se sabe se se ama alguém quando se perde essa pessoa.” Aproximaste-te de mim e novamente senti, o coração a bater mais depressa, as borboletas na barriga, o arrepio na pele, enquanto te aproximavas para me beijar dizias, cada vez mais perto “E eu perdi-te, e só aí me apercebi que te amo”.
Depois só nos vi sentados num muro junto ao mar, (aquele em que deitei a cabeça no teu colo quando vim de férias e te confessei que estava a morrer de saudades tuas), vi-me deitada dessa mesma forma, e tu a fazer-me festas no cabelo enquanto que o mundo à nossa volta continuava, uma multidão a passar ali em redor, e nós ali a olhar um no olhos do outro, como se só existíssemos os dois, como se mais nada importasse naquele momento. Como se tivéssemos uma vida pela frente.
Lamechas, irreal, mas aqueceu-me a alma. Tenho tantas saudades tuas. E ainda falta tanto... e custa tanto... E dói tanto... E eu amo-te tanto... A contar os dias, as horas, para estar contigo.
