quinta-feira, 30 de novembro de 2006

Sopro de vida...



Porque era mesmo disto que eu estava a precisar... =) Porque tudo é verdade... O importante é viver... e aprender... e dançar.... e sorrir....

Uma grande lição, para aqueles dias em que não sabemos quem somos, nem o que queremos da nossa vida... Vale a pena ver... 7 minutos de puro sorriso... =)

Presa a mim.

Estou presa a mim, cansada de mim…
Estou a parar de funcionar… Não tenho força de vontade para nada… O estudo não rende… Horas a olhar para os livros para no final ficar com aquela sensação de vazio… O coração apertado sem saber muito bem porquê…
Preciso de descansar a mente, deitar a cabeça na almofada e esvazia-la, deixar-me ficar leve, sem sentimentos, sem pressões, sem objectivos, sem nada… Só eu…

Sinto-me a movimentar em areias movediças, a cada passo dou por mim a afundar-me mais, cada vez é mais difícil a vinda à tona…
Ligo o portátil, sento-me à secretária, ponho os phones, volume no máximo… Anestesio-me na música… Canto. Alto… Sem me importar que alguém me oiça lá fora… As músicas que de tão altas que soam na minha cabeça me transportam para outra realidade…

Estou sozinha no meio de tanta gente… Onde toda a gente me fala ao mesmo tempo, onde não consigo perceber ninguém, num mundo em que agora, neste momento, por mim só existia eu… Preciso de me encontrar, preciso de me reconhecer…

Preciso do sol, do meu pôr-do-sol, do daqui, do do Porto, do da minha praia, qualquer um, tanto me faz, para me salvar… Preciso do laranja forte, do fogo… da promessa de um novo dia, em tudo melhor que o que acaba de acabar…

Tentar….a tentar…. Eu estou a tentar, com todas as forças que me restam…
Mas custa… e eu só queria estudar… e deixar de te amar…


Vou dormir, talvez passe... Não me apareças nos sonhos, hoje peço-te, hoje não, mesmo..

quarta-feira, 29 de novembro de 2006

Hideaways

Dava tudo para poder fugir, para aqui... Para a minha praia... Onde tudo me parece demasiado pequeno para dar importância...
Dava tudo para amanhã acordar lá, com o sol a beijar-me a face, e os pés a enterrarem-se na areia...
Dava tudo para que a conhecesses, para que a partilhassemos, para que também a sentisses como tua...



Dava tudo para apreciar mais um pôr-do-sol lá, onde se conhece verdadeiramente o valor que ele tem...
Dava tudo para amanhã pudessemos estar os dois sentados naquela minha praia a ver o sol a desaparecer na imensidão do mar...



Sai-me dos meus sonhos, sim? Não aguento estar sempre a ver-te lá, onde estás inatingível...

Sonho

Ali estavas tu, de costas para mim, à espera de algo que provavelmente nunca te chegaria... E eu, olhava-te de soslaio e amava-te em silêncio… Nada mais existia naquela estrada junto ao mar, além de nós…
Cheguei-me a ti, em bicos de pés, tentando abeirar-me da água sem que desses por mim, tentando espiar-te os pensamentos… Sentiste-me, apenas como se sente quem se ama, olhaste-me nos olhos e disseste “estava a pensar em ti”. Sabia que mentias, via-se nos teus olhos, que transparentes como água gritavam… Não pensavas em mim, nem em nós, pensavas nos “ses” da tua vida…

Encaravas-nos como tal…

Ali estavas tu, comigo, e no entanto ambos pensávamos no que seria se não tivesse sido desta maneira.

terça-feira, 28 de novembro de 2006

Homenagem...

Ela tinha 15 anos, e andava perdida por rapazes mais velhos, queria divertir-se, brincar com a vida, aproveitar a pouca liberdade que os 15 anos lhe conferiam e viver em pleno.
Ele com 15 anos, já tinha responsabilidades, filho de comerciantes, donos de um café urbano, todos os dias depois da escola trabalhava para ajudar os pais… Gostava dela, mas ela nunca lhe ligava nenhum…
Ela respondia aos convites dele para saírem os dois com desdém, “um dia quem sabe…”, ela não o suportava, ele não era bonito, ele era da mesma idade que ela, e ela queria era conhecer gente mais velha… Ele sabia disso, via-o nos olhos dela, mas nem por isso desistia de lhe perguntar todas as vezes que a via
-
“Quando é que vens comigo ao cinema?”
- “Um dia quem sabe…”
respondia ela
Naquela madrugada, dia 28 de Novembro ela estava à janela a remoer mais uma discussão com os pais que não a deixavam sair… e ele apareceu, assobiou e voltou a insistir….
-“Quando é que vens comigo ao cinema?”.
-“Um dia…”.

E ele ficou triste - “esse dia nunca vai chegar sabes disso…”.
Ela teve pena - “não sejas parvo, um dia vamos, quem sabe agora nas férias do Natal…”.
- “Sabes, queria dar-te uma prenda no Natal, mas não tenho dinheiro para te comprar uma prenda como tu mereces, por isso dou-te a lua, é tua” disse ele assim do nada…
- “Não tens que me dar nada… Já chega quando vou ao café e me dás gomas sem os teus pais saberem…” respondeu ela, já farta de tanta conversa, estava ali porque queria estar sozinha e lá estava ele mais uma vez a importuna-la…
- “Eu sei… mas eu quero... dou-te a lua, é tua, ouviste? Sempre que olhares para ela lembra-te de mim, e de que vou estar aqui sempre ao teu lado sempre que precisares, sempre a olhar por ti…”
- “Obrigada, realmente a lua hoje está bonita, e o céu limpinho, nem parece que de tarde choveu tanto, agora olha, tenho que ir… Beijinhos, depois combinamos isso do cinema pra um dia…”.
- “Pois pois, acredito mesmo… mas eu não desisto assim de ti… Vai lá, beijos.”. Gritou-lhe ele enquanto ela fechava a janela, já aborrecida por não ter encontrado a paz que estava à procura.

Amanheceu, e com a manhã o mundo dela desabou… No regresso a casa, naquela madrugada ele tinha tido um acidente com os pais de carro e acabou por morrer naquela manhã de 28 de Novembro…
Ela ficou sem ele, ficou para sempre com os remorsos de que nunca foi com ele ao cinema, nem nunca fez tenções de ir, pela estupidez dos 15 anos…E agora ele já cá não estava…

Ele deixou-lhe a lua, e até hoje ela cuida dela como se fosse sua, porque é, ele deu-lha, e ela gosta dela como deveria ter gostado dele, dedica-lhe o carinho que ele sempre lhe teve a ela...


Toda a gente que me conhece sabe o quão apaixonada sou pela lua… Toda a gente, brinca com o facto do meu quarto ter a módica quantia de 25 luas, e de eu andar sempre à procura de mais... Mas nunca ninguém soube a verdadeira razão de ter este carinho todo por ela… Ninguém conhece a razão por detrás da minha tatuagem, por detrás do nome do blog... Quando me perguntam porquê que gosto tanto dela, respondo só “Porque é minha, porque ma deram” e a conversa fica por ali…

O que nunca contei foi a razão pela qual ma deram… e hoje 6 anos depois, acho que ele merece esta homenagem…

Obrigada Daniel… por estares sempre aí a olhar por mim...

Por estares sempre atrás de mim a amparar qualquer passo que dê.