quarta-feira, 25 de outubro de 2006

Insónias

A noite não tem fim…
Lá fora ouve-se a chuva a cair com raiva, e eu aqui dentro não consigo acalmar o que tenho dentro de mim…
Vazio, indecisões, pensamentos que passam a correr para deixarem uma ponta de mágoa na minha alma...

Porquê? Para quê?

Imagens que passam pela mente como se tivessem acabado de acontecer, momentos que ficam marcados para sempre… Palavras que uma vez sussurradas ao ouvido permanecem agora coladas ao coração, e dali não saem mais, porque significaram demais, porque só ali têm sentido.

Ontem sonhei contigo, como sempre.
Já te pedi para me deixares de aparecer nos sonhos, “É para não me esqueceres” respondes tu com a voz de quem ama e está magoado…Impossível esquecer alguém que nos mora no coração. Nunca te (nos) vou esquecer.
Dói sonhar contigo porque depois acordo para o meu mundo real, e já cá não te encontras. Cada vez que acordo de um sonho connosco desejo adormecer de novo, faz-me querer estar sempre nesse estado letárgico só para te sentir mais um pouco…

Ontem sonhei contigo, vi-te deitado na minha cama, como tantas vezes lá estiveste… eu entrava e perguntava-te, “Sentiste a minha falta?”, “Todos os dias” respondias tu, e eu atirava-me para o teu colo, aninhava-me nos teus braços e dizia-te que gostava de ti…

“Não tenhas medo, eu estou aqui, não te deixo cair” disseste tu…
Deste-me um beijo e eu fugi como tantas vezes o fiz só para te ver a rir, punhas as tuas mãos à volta da minha cintura, apertavas-me contra o teu peito, agarravas-me o lábio com a força de que está a ser desafiado, e eu gostava tanto disso, beijavas-me o pescoço, e eu não fugiria mais, sabias disso…

Faríamos amor, de certeza, nunca conseguíamos estar longe um do outro, por muito que tentássemos o teu corpo era meu, e o meu era teu, completávamo-nos. No fim, puxavas-me para ti e dizias que me adoravas, eu beijava-te a barriga, desenhar-te-ia com a mão letras nas costas para que adivinhasses o que escrevia: “Adoro-te” e tu rias-te com um sorriso que me iluminava…

Acordei, sei que sonhara com um passado não sei é se voltará a ser presente.

Sentes mesmo a minha falta? Estás mesmo aí? Se eu cair apanhas-me? Ou são só sonhos? E nada mais que isso?

Precisava de saber,
Precisava de te perguntar,
Precisava de dormir…
Precisava de sonhar…
Precisava que tudo isto se voltasse a passar e não fosse só um sonho
.

terça-feira, 24 de outubro de 2006

Silêncio

Não me falas, não me respondes às mensagens. Entras no MSN e nem um "boa noite" me diriges, como orgulhosa inveterada que sou, também nada te digo... Talvez te queixes do mesmo sobre mim...

Nada existe agora entre nós, nada além de silêncio...

Apaguei os teus números do telemóvel, assim refreio o impulso de te mandar sms, quando te procuro na agenda e não te encontro, sei-os de cor, mas preferia não saber.

Estás já na fase do distanciamento para me (nos) esqueceres, ou estás só magoado porque não quis estar contigo? Queres-me esquecer ou queres esquecer que não quis ir ao teu encontro?

Preciso de saber, e não tenho coragem de te perguntar...

Amo-te, ainda. Muito. (e agora era a minha vez de ser feliz...)

domingo, 22 de outubro de 2006

SMS não-enviada #1

Hoje ficaste chateado quando me perguntaste se estava no Porto e te disse que sim, achas que o facto de não te ter dito que cá estava era porque não queria estar contigo, porque não sinto a tua falta… Estás tão enganado…

Expliquei-te porque nada te disse… Foi exactamente por querer estar contigo, por desejar correr para ti, que não te disse, porque depois de estarmos juntos íamos voltar ao mesmo… “Não sabes” respondeste tu… E tu sabes? Se sabes diz-me…

Se tens certezas, dá-mas… Preciso delas…


Quase tanto como preciso de ti…

Domingo...

Um domingo chuvoso, ventoso e no entanto tão quente...

É o melhor domingo de sempre desde que fui para Lisboa... Chove lá fora, está frio e no entanto tudo está em paz...
Sinto-me como nos domingos da minha infância... Acordar quando queremos, e mesmo assim ver como inda é cedo... Ajudar a por a mesa, um almoço em familia, sorrisos...
Uma tarde no sofá, com mantas que existem desde sempre e que a cada Inverno saltam dos armários para nos confortarem em tardes de chuva como estas...

Um bom filme no DVD, uma saída para ir comprar croissants à mesma confeitaria de sempre de domingos de chuva.

Um lanche em familia, um banho de imersão, antes de nos sentarmos no chão para petiscar a ceia... e acho que para tornar isto mais parecido como quando era pequenina vou pedir à minha mãe que me seque o cabelo e me faça uma trança para amanha ir com o cabelo bonito para a escola... :)

O que mais magoa é saber que amanhã volto a Lisboa, que amanhã já nada disto vai acontecer... Mas foram escolhas minhas... Há que saber viver com isso...

Só espero é que quando for a minha vez de ter uma casa, filhos, uma familia, que eu saiba proporcionar memórias especiais como estas e domingos tão quentes como os que tive até aqui em dias de chuva...

sábado, 21 de outubro de 2006

Vazia...

É como me encontro neste momento em que escrevo...

Vazia, de tudo...
Não porque te perdi, não porque nao estás comigo, não porque o tempo passa e nós nos afastamos...

Vazia, de mim
Porque me desencontrei comigo mesma, porque não sou a mesma...

Porque me deixei levar pela ilusão, de que agora era a minha vez de ser feliz, depois de tanto tempo sozinha, depois de relações que ficaram presas na memória e que só agora lhes abri a janela para que pudessem voar...

Vazia, porque me expus demais, porque mesmo assim não me dei a conhecer, porque deixei que os fantasmas do passado me aterrorizassem de novo... Porque me quis dar a ti, mas sem nunca me dar a mim...
Vazia, porque te vejo a levares a tua vida para a frente, mesmo com os teus "Quero-te", "Ainda gosto tanto de ti", "Foste a melhor coisa que me aconteceu" consegues estar longe de mim... E eu, que não te digo nada disso com medo que me vejas desprotegida, como nunca ninguém viu, não consigo voltar a ser eu...

Ao "eu" que tinha antes de nós... Porque sei que o "eu" que tinha contigo era bem melhor, porque me fazias sentir bem, desejada. Amada...
E eu perdi-me na ilusão que agora era a minha vez de ser feliz, e não nos soube aproveitar, não soube...

E agora aqui estou...

Perdida de mim mesma, em dias cinzentos, todos iguais...

Vazia de mim.