Eu gosto tanto do Natal, mas tanto, que venho a riscar os dias já quase para 1 mês… Gosto do ambiente que se vive, gosto da minha casa a encher-se de pessoas que nos são queridas, gosto dos cheiros a rabanadas e sonhos que nos invade cada divisão da casa, gosto de ver a minha avó em frente ao fogão a mãos com o pudim, a aletria e eu sempre a saltitar pra ver se me cai alguma coisa na prova…
Gosto da minha mãe, sempre aos berros para nós sairmos da cozinha, gosto do meu pai, sempre aos berros para nós sairmos da beira das prendas, gosto do brilho no olhar dos meus primos que acham que o tempo não passa e nunca mais é meia noite…
Gosto de quando nos sentamos todos na mesa grande, e a mãe, as tias e a avó trazem o bacalhau, gosto de jantar com todos, a ouvir sempre as mesmas histórias que parecem novas todos os anos. Gosto de ver o meu avô à cabeceira da mesa com um brilho de orgulho porque tem ali o que sempre quis, uma família, a mulher, os filhos, os genros e noras, e os netos… Gosto de o ouvir dizer que quando era novo e morava na rua passava o Natal encostado a um canto a saber que não iria ser para sempre assim… Gosto que tenha tido força para contrariar a vida que lhe estava destinada e hoje estarmos assim, todos reunidos, todos felizes.
Gosto que depois do jantar e enquanto comemos a sobremesa nos juntemos todos para umas partidas de bingo, a feijões, claro… Mas mesmo assim gosto quando um dos meus primos ganha… Parece que ganhou o mundo, a alegria transparece-lhe nos olhos… E ali estamos nós, todos juntos, a ver quem faz linha, a ver quem faz bingo, a ver quem faz batota…
Gosto de me esconder no quarto com os meus primos todos, a minha irmã, “porque o Pai Natal está a chegar”, gosto de andar a recolher um sapatinho de cada um para depois sabermos qual o monte de prendas que nos está destinado… Gosto da excitação nos olhos da minha prima pequenina… A alegria que lhe sai disparada do peito, os saltos, os berros, “O Pai Natal, está mesmo lá dentro???”. Gosto de que lá dentro se faça barulho, com tachos e panelas e coisas derrubadas ao pé da lareira, “porque o Pai Natal é cá um desastrado…” Gosto da correria que se faz do quarto até à sala, na ânsia de ver o que nos deixou o Pai Natal…
Gosto que depois de todos abrirmos as prendas, cearmos chá e rabanadas, ou pão-de-ló, gosto da união que temos, todos, porque somos muitos, e há sempre problemas e desentendimentos. Mas não há mais nada importante que a família. E todos sabemos isso.
Gosto do dia de Natal, em que todos regressam cá a casa e descobrem-se melhor as prendas que nos deram, montam-se brinquedos, aprende-se a mexer nos aparelhos, anda-se nas bicicletas e jogam-se os jogos…
Gosto, gosto muito do meu Natal, porque é passado com Amor. Porque é feito por Amor.
Gosto ainda mais este ano, em que depois da meia-noite vens ter comigo. Para o nosso primeiro Natal.
A todos vocês que lêem este cantinho, o meu mais sincero desejo de um Feliz Natal. Com tudo de bom, com a companhia daqueles que mais amamos.
FELIZ NATAL minha gente!!
Hoje tive um almoço de família, daqueles em que a família toda e mais alguma, incluindo as tias velhinhas todas… Hoje havia fotografias, daquelas a preto e branco de cantos recortados, expressões paradas no tempo de alguém que apenas conhecemos já com rugas, vestidos agora de época, carros agora de colecção, penteados agora fora de moda.
Hoje o dia é teu. Não fazes anos, mas hoje o dia é só teu. Tenho o meu coração contigo, ele está pequenino, é da preocupação, mas não te preocupes, vai tudo correr bem. E amanhã à noite, assim que atravessar aquela ponte a primeira coisa que vou fazer é ir-te ver, dar-te um abraço bem forte e dizer-te ao ouvido o quanto gosto de ti.
Gosto tanto de ti vais ser sempre a minha mana pequena. Por muito que cresças, vais ser sempre bebé, aquela com quem ando sempre às turras, a minha companheira de berros e amuos, de gritos e desavenças que só os irmãos podem ter, de portas de quartos batidas (e partidas também 





