terça-feira, 14 de junho de 2016

Doce mês de Junho

Se alguma vez naquele dia 14 de Junho me dissessem que ia encontrar o amor da minha vida numa Fnac cheia de gente eu ria-me. Se o destino me tivesse avisado que 10 anos depois teríamos duas filhas e que ainda estaríamos juntos e felizes eu corria para o internar. A verdade é que é verdade. Naquele dia, há 10 anos, a minha vida mudou para sempre. Já lho disse mil vezes, e ele sabe-o, naquela noite quando me deu a mão para atravessar a rua e no fim me espetou um beijo e me pediu em namoro disse-lhe que sim por impulso. Estava sozinha, agarrada a uma relação já há muito terminada e farta de não ter ninguém. Disse que sim e a minha vida nunca mais foi a mesma. Tinha um rapaz que de fininho foi conquistando espaço no meu coração. Passava o dia a rir, passava o dia a sentir que estava em casa, passava o dia a achar que se calhar o impulso tinha sido bom, mas que estava a ser intenso demais. Depois a vida meteu-se pelo meio e acabamos. E acho que foi nesse espaço de tempo que me bateu. Estava ali a minha pessoa. Simplesmente não dava sem ele... E a ele também lhe deve ter dado uma epifania do género que mal decidimos pôr a vida para trás das costas só existíamos nós. E os dias foram passando... E decidimos morar juntos, e comprar uma casa, e casar, e ter filhos e aqui estamos. Juntos, mais velhos, mais completos, mais felizes por termos dado uma segunda oportunidade ao que somos um ao outro.
A vida está sempre a pôr-nos à prova, sempre a meter-se pelo meio, sempre a dar-nos obstáculos maiores e mais complicados. Mas naquele dia em que nos voltamos a ver e a verbalizar que juntos éramos mais, decidimos não lhe dar parte fraca. Tenho ao meu lado o melhor marinheiro para as nossas tormentas. Conhece-me com o silêncio de um olhar, resolve-me com a precisão de um abraço e faz-me conhecer o local mais seguro do mundo dentro dos seus braços. Estamos juntos há 10 anos. Construímos uma base segura neste inicio de caminhada a dois, e sinto que mesmo que a vida dê muita volta, que dá, consegui o feito único de na vida ter encontrado a minha alma gémea. São 10 anos de namoro, e 6 de casamento, duas filhas, e uma quantidade de alegrias que não são contabilizáveis. E uma certeza, temos dentro de nós uma força e um amor únicos e especiais. Obviamente que discutimos (muito), que nos pegamos (muito), que temos (muitos) problemas e (muitas) dores de cabeça. Somos teimosos, orgulhosos e cheios de outros defeitos, mas sei que temos a inabalável certeza do amor que nos une, do som único das gargalhadas que partilhamos, do conforto das conversas tidas noites fora, da sensação única de estarmos mais apaixonados do que no primeiro dia. A vida tem-se metido ao meio, o quotidiano tem deixado algumas mossas, a rotina tem dado algum trabalho. Mas esta viagem com ele, que ainda mal começou, tem tido para mim uma sensação de plenitude.
Tenho para tatuar no corpo a frase que ele me deixou aqui no blog em Maio de 2006 quando o encontrei no hi5 e o resgatei ao tempo: "O que tem que acontecer, acontece, mais cedo ou mais tarde." - "e falando por mim acontecerá de certeza", disse ele confiante e assertivo.

Ainda bem que acontecemos meu amor. Obrigada por seres meu. Parabéns a nós!