Para mim és esta foto.
A calma de uns olhos fechados num dia de sol, a força de vontade numas ondas do mar. A imensidão do céu e o aconchego bom que só se encontra no frio. O silêncio cómodo. A minha paz. O meu colo. A minha casa. É infantil dizer isto, mas morro de saudades quando não estás comigo. E há vezes em que sem saber como, olho para ti e apaixono-me mais um bocadinho.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
Chuva
A casa vazia em silêncio. A chuva lá fora e um frio dentro dela. A solidão dilacerante de quem um dia já teve tanto. A falta de um sorriso, a falta de um abraço. Ela sozinha numa casa escura, fria, morta. O que a matava era o passado. A sensação de impunidade que o passado lhe imputava nos ombros. A falta de força para quebrar correntes, para berrar. No fundo perguntava-se para quem berraria. O silêncio numa casa vazia era tudo o que lhe restava. E a chuva lá fora. E um frio a crescer dentro dela.
Era visitada por fantasmas. Dos dias bons, do que ela pensava serem dias maus. E o sorriso. Era sempre o sorriso que a tramava. A falta de conversar, do toque de outro alguém no seu próprio corpo. E berrava, aninhava-se agarrada à barriga num berro sem som. Numa dor alagada em suor. E o futuro tão distante do que poderia ter sido. E a dor tão real como deveria ter sido. A chuva lá fora. E um frio tremendo dentro dela. Falava, falava muito. Sozinha. E então a loucura começou a ser companhia. Chegou de mansinho, fez-se amiga. Ouvia-a, tinha plateia para os berros. Sentia festas no ombro e alguém lhe penteava os cabelos. A chuva. Nunca mais passava lá fora. E o frio adensava-se dentro dela. E o passado e o presente num golpe trágico misturaram-se com o futuro e atraiçoaram-na. Deixou de saber quem era. O que tinha sido. E o que queria ser. Perdeu-se nos berros, nos cabelos desgrenhados e no formigueiro do ombro. Era a chuva. A chuva continuava lá fora. E o frio tinha-a congelado.
domingo, 8 de fevereiro de 2015
Não é....
Não é sempre fácil. O dia a dia, a pressa de chegar, de fazer, de estar. Não é sempre fácil. Os problemas, as dificuldades, os obstáculos. Não é sempre fácil. Os feitios, os amuos, as cedências. Não é sempre fácil, na verdade, raramente é fácil. Mas a certeza é uma. Vale a pena, compensa. E a pressa é precisa para que se dê valor à paz. Para que se possa apreciar em plenitude a quietude do dia. E os problemas são ultrapassados em sprint de maratonista, porque de nada nos serve o baixar de ombros e a perda do sorriso. E os feitios e os amuos são vistos como o nascimento de uma nova paixão e um “espera lá que afinal gosto tanto de ti.”
E às vezes, quase sempre, tu esqueces-te de dizeres que me amas, mas continuas a fazer-me festas quando pensas que já durmo depois de discutirmos. E quase sempre me dás beijos de fugida e quase sempre cobrados, mas ainda fechas os olhos quando mos dás, numa entrega só nossa. E muitas vezes eu cobro, peço, exijo mimos, mas no fundo os teus mimos estão em tudo o que fazes para que o dia ande para a frente e no fim da noite consigamos estar os dois abraçados num momento só nosso.
Não é sempre fácil. Mas contigo é sempre perfeito, na nossa doce imperfeição.
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